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Josias de Souza

Bolsonaro tenta a sorte como candidato a deus

Bolsonaro vestiu a camisa do Sampaio Corrêa na live desta quinta-feira - Reprodução
Bolsonaro vestiu a camisa do Sampaio Corrêa na live desta quinta-feira Imagem: Reprodução
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

30/10/2020 02h27

Getúlio Vargas costumava dizer que política é esperar o cavalo passar. Nessa fórmula, a sorte acontece quando a espera é premiada com a chegada de um alazão. Político atípico, Bolsonaro decidiu cavalgar dois pangarés, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro.

A duas semanas da eleição, o presidente tornou explícito seu apoio a Celso Russomano e Marcelo Crivella, ambos do Republicanos. São gestos de aparência inexplicável. Para explicar, é preciso perceber que Bolsonaro não está preocupado com Russomanno ou Crivella.

Bolsonaro pensa primeiro nele. Depois, novamente nele. Se Russomanno e Crivella perderem, dirá que tem Messias no nome, mas não faz milagre. Se um ou outro for ao segundo turno, a vitória terá sido dele. Caso ocorra algum milagre, Bolsonaro se autoproclamará deus, vangloriando-se do poder de ressuscitar mortos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL