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Josias de Souza

Boa notícia: concedo férias de 15 dias à plateia

Máscara e álcool gel - iStock
Máscara e álcool gel Imagem: iStock
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

03/01/2021 21h56

Enfim, uma boa notícia: a partir desta segunda-feira (04/01), darei férias à plateia —aqui e nas redes sociais. Oferecerei aos seguidores e, sobretudo, aos perseguidores o usufruto da minha ausência. Infelizmente, o prazo será curto. Volto em 15 dias. Se pudesse, seria mais generoso. Entretanto, ainda não inventaram uma vacina eficaz contra as dívidas.

Nas próximas duas semanas, me dedicarei a uma aventura radical. Coisa perigosíssima. Mergulharei sem escafandro na vida fora da internet. Viciado na atmosfera tóxica do mundo virtual, onde petistas me chamam de "golpista" e bolsonaristas me classificam de "comunista", não sei como meu organismo reagirá ao ar puro do universo analógico. Rezem por mim.

Muitos ansiavam pelas minhas férias. Os mais atenciosos chegaram a sugerir roteiros de viagem: "Vai pra Cuba"; "por que não foge pra Venezuela?"; "seu lugar é na China." Ou, por outra: "Vai à mer..." São sugestões preciosas. Darei preferência, porém, a destinos mais inóspitos.

Transitarei sem máscara pelos trechos mais inseguros do alfabeto. Em certos dias, darei preferência ao intervalo situado entre o 'B' de Bolsonaro e o 'C' de Covid. Para o bem-bom: Beethoven e conversa fiada. Para o deleite: Bife e Beaujolais. Para o repouso: Bossa nova e cadeira (de balanço!). Para a releitura: Bandeira e Cervantes.

Em dias certos, estreitarei o distanciamento com os básicos situados entre o 'L' de loucura e o 'M' de maluquice. Para infeccionar a alma: Liliane e magia. Para infectar o espírito: Luar e Miles Davis. Para contaminar o fígado: licores e margueritas. Para inocular vírus nos neurônios: Machado de Assis e Mario Quintana. Desejem-me sorte.

Até a volta! Se eu sobreviver.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL