PUBLICIDADE
Topo

Josias de Souza

Posse de Biden é vigoroso aviso para Bolsonaro

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

20/01/2021 20h07

Se a troca de comando na Casa Branca sinaliza alguma coisa é o seguinte: em política, como na vida, a melhor hora para mudar é quando a mudança ainda não é necessária. O republicano Donald Trump perdeu a sua hora. Em consequência, o democrata Joe Biden tomou posse nesta quarta-feira como 46º presidente dos Estados Unidos numa cerimônia marcada pela ausência de Trump, que saiu pela porta dos fundos.

No seu discurso de posse, Biden repetiu o mantra da união nacional, que ele entoa desde a campanha. Reiterou que governará para todos. Disse algo assim: "Precisamos acabar com esta guerra incivil que coloca vermelho contra azul, rural contra cidade, conservadores contra progressistas. Nós podemos fazer isso se abrirmos nossas almas ao invés de endurecer nossos corações."

Trocando-se Estados Unidos por Brasil, o discurso de Biden poderia ser pronunciado por Jair Bolsonaro em rede nacional de rádio e tevê. A exemplo da sociedade americana, os brasileiros amargam duas patologias: a Covid-19 e a ultrapolarização política. A primeira matou mais de 400 mil americanos e mais de 200 mil brasileiros. A segunda assassinou a racionalidade lá e cá.

Contra a Covid, há novas vacinas, descobertas em tempo recorde. Contra a polarização, há dois imunizantes antigos à disposição: sensatez e moderação. O tempo dirá se Biden conseguirá o feito de unir a sociedade americana. No Brasil, a unificação ganhou ares de utopia.

Bolsonaro sempre enxergou Trump como um exemplo a ser seguido. Mas o eleitorado americano transformou o personagem num ótimo aviso. Trump perdeu o mandato sobretudo pela forma inadequada como lidou com a pandemia. Demorou a perceber que nada é permanente numa democracia, exceto a mudança.