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Josias de Souza

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ernesto Araújo submete realidade a lockdown

Marcos Corrêa/Presidência da República
Imagem: Marcos Corrêa/Presidência da República
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

22/02/2021 20h45

O chanceler Ernesto Araújo, um ministro de Relações Exteriores que considera "bom ser pária", faz o pior no Itamaraty da melhor maneira possível. Discursando numa sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Araújo envergonhou o Brasil com uma contestação do lockdown, tática adotada em todo o planeta durante a pandemia.

"Sociedades inteiras estão se habituando à ideia de que é preciso sacrificar a liberdade em nome da saúde", declarou Ernesto Araújo, antes de passar um pito no mundo: "Não se pode aceitar um lockdown do espírito humano".

Na prática, o antichanceler brasileiro ecoa o discurso de Jair Bolsonaro. O presidente facilitou a aquisição de armas para que as pessoas resistam à ditadura de governadores e prefeitos adeptos da "política do fique em casa."

O isolamento social revela-se inevitável mesmo em alguns países que já vacinam em massa. Entretanto, Araújo não parece preocupado com os fatos. Ele segue a linha do chefe: Fatos? Que fatos?

O diabo é que nada é mais solidamente factual do que os quase 2,5 milhões de cadáveres que o coronavírus já produziu ao redor do mundo. No Brasil, desceram à cova quase 250 mil pessoas.

A exemplo do chanceler brasileiro, todas as pessoas de bom senso odeiam os fatos produzidos pela pandemia. Mas ódio não faz os fatos desaparecerem.

Ao criticar estratégias sanitárias sem oferecer alternativas, Araújo submete a realidade a um lockdown. Submete também o Brasil a um vexame.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL