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Josias de Souza

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Balanço da Petrobras faz da intervenção de Bolsonaro caso para psiquiatria

Jair Bolsonaro está incomodado com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco  -  José Cruz / Agência Brasil .
Jair Bolsonaro está incomodado com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco Imagem: José Cruz / Agência Brasil .
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

25/02/2021 05h29

Sob Jair Bolsonaro, a parte mais difícil do sucesso é encontrar alguém que reconheça o mérito. Empurrado pelo inquilino do Planalto em direção à porta de saída, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, levou à vitrine números que o deixam bem na foto.

A estatal petrolífera fechou o ano pandêmico de 2020 com lucro de R$ 7,1 bilhões. O resultado líquido do quarto trimestre do ano passado foi um recorde: R$ 59,89 bilhões. Podendo soltar fogos junto com Castello Branco, o presidente da República preferiu puxar-lhe o tapete.

Casatello Branco fez soar o bumbo do autoelogio: "A produtividade está subindo, a companhia está focada em investir em ativos de classe mundial e possui uma grande carteira de ativos não prioritários à venda. Nós entregamos nossas promessas."

Indicado por Paulo Guedes em 2019, Castello Branco vai à galeria dos ex-presidentes da Petrobras como um caso raro de executivo. Foi enviado ao olho da rua por excesso de mérito.

Depois que os resultados da companhia ganharam o noticiário restou a impressão de que a intervenção militar que Bolsonaro promove na Petrobras é um caso menos de governança do que psiquiátrico.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL