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Josias de Souza

Planalto tenta retomar o controle sobre Pazuello

Evaristo Sá/AFP
Imagem: Evaristo Sá/AFP
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

11/05/2021 01h49

Bolsonaro não gostou de saber que Eduardo Pazuello passou a namorar a ideia de buscar no Supremo Tribunal Federal um habeas corpus que lhe permita exercitar na CPI da Covid o direito constitucional de ficar calado para não se autoincrimiar.

A serviço do Planalto, operadores civis e militares tentam retomar, por assim dizer, o controle sobre Pazuello. Molha a camisa para convencê-lo a seguir o roteiro ensaiado nas sessões de treinamento a que se submeteu na Presidência.

Prevalece no Planalto a avaliação de que Pazuello dificilmente obteria do Supremo liminar para trocar a pele de testemunha, que o obriga a dizer a verdade, pela camuflagem de investigado, que oferece a trincheira do silêncio.

Entretanto, auxiliares do presidente acham que a simples tentativa de obter o habeas corpus seria ruinosa. Reforçaria a tese de que o general que comandou a pasta da Saúde guiando-se pelo lema segundo o qual "um manda e o outro obedece" tem algo a esconder. Bolsonaro prefere que o ex-ministro enfrente a CPI como "homem", não como "maricas".