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Josias de Souza

Datafolha escancara a debilidade da 'terceira via'

Flickr/Palácio do Planalto/Alexandre Schneider/Getty Images
Imagem: Flickr/Palácio do Planalto/Alexandre Schneider/Getty Images
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

13/05/2021 10h17

O Datafolha traduziu em números a superpolarização em que está metida a política brasileira. Ressuscitado pelo Supremo, Lula prevaleceria com folgas sobre o rival Bolsonaro se o brasileiro tivesse que ir às urnas hoje. No primeiro turno, o placar seria de 41% a 23%. No segundo, 55% a 32%. Além de acentuar o peso dos extremos, a pesquisa escancara a debilidade da chamada "terceira via". Fala-se muito no centro. Falta informar como se chega ao centro.

Abaixo de Lula e Bolsonaro há um bololô de presidenciáveis ou pretensos candidatos. Alguns desses personagens, embora já jurados de morte pela conjuntura, percorrem os bastidores como se estivessem cheios de vida. Estão colados nos fundões do palco Sergio Moro (7%), Ciro Gomes (6%), Luciano Huck (4%) e João Doria (3%) que, mesmo brandindo a CoronaVac, só não é o lanterninha porque abaixo dele estão Henrique Mandetta e João Amoêdo, empatados em 2%.

Está entendido que o negacionismo da pandemia cobra a conta de Bolsonaro. Por contraste, Lula retorna ao palco como se nada tivesse sido descoberto sobre ele. Quem busca uma alternativa qualquer à dupla está em apuros. O eleitor vai à urna mais ou menos como quem entra numa loja de roupas. Não se pode escolher senão entre as peças que estão expostas no cabide.

Se o Datafolha serviu para alguma coisa foi para realçar o seguinte: Unido, o centro talvez se credencie para desafiar a polarização. Separados, os candidatos alternativos chegarão a 2022 entoando Noel Rosa: "Com que roupa eu vou..." Nessa hipótese, o eleitor será convidado para um samba no qual terá de optar entre Bolsonaro, um candidato sem futuro, e Lula, um oponente com um enorme passado pela frente.