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Josias de Souza

No Gran Circo Brasil, polarizou-se até o futebol

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Imagem: iStock
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

07/06/2021 02h08

Noutros tempos, o futebol era o esporte das multidões. No momento, há mais política do que esporte. E o vírus eliminou as multidões.

A Copa está marcada para domingo. Mas o Brasil já assiste a um inusitado torneio de mediocridade. Era o que faltava: polarizaram a seleção de futebol.

Flávio Bolsonaro, o zero à esquerda número um, alardeia num vídeo que o técnico Tite torce nariz para a Copa porque é "hipócrita", "puxa o saco" do Lula e quer "boicotar" o governo.

Em aliança com um caboclo pilhado num escândalo de assédio sexual, Jair Bolsonaro trama nos subterrâneos da CBF a troca de Tite pelo bolsonarista Renato Gaúcho.

Tudo isso e mais a carta que o lulista Renan Calheiros, relator da CPI da Covid, enviou à seleção para insuflar um motim comunista. Não haveria maior conquista do que o boicote à Copa América, escreveu o senador para os jogadores e o técnico.

Num instante em que o brasileiro precisa de vacinas, empregos e pão, a República se engalfinha ao redor do circo de uma Copa América que Colômbia e Argentina se recusaram a sediar.

O esforço para converter a grande área em cemitério da sensatez é desnecessário. O mundo inteiro já observa com espanto o Gran Circo Brasil, que proporciona espetáculos únicos na pandemia —um ilusionista, uma dúzia de trapezistas e 212 milhões de palhaços.