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Josias de Souza

Mentira de Bolsonaro sobre os cadáveres da covid-19 contrapõe a CGU e o TCU

VINCENT BOSSON/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Imagem: VINCENT BOSSON/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

14/06/2021 20h38

A mentira de Bolsonaro sobre a "supernotificação" de mortos por covid-19 contrapôs dois órgãos de controle. A Controladoria-Geral da União (CGU), vinculada ao Executivo, realiza uma recontagem dos cadáveres. Deseja checar uma a informação que o Tribunal de Contas da União (TCU), subordinado ao Legislativo, já informou ser falsa.

Simultaneamente à movimentação dos técnicos da CGU, a presidente do TCU, ministra Ana Arraes, divulgou os nomes dos integrantes da comissão disciplinar que irá esquadrinhar os atos do auditor Alexandre Marques. Vem a ser o amigo da família Bolsonaro que produziu o documento usado pelo presidente para difundir a falsa notícia.

São três os auditores que realizarão a investigação interna: Márcio André Santos de Albuquerque, Frederico Julio Goepfert Junior e Pedro Ricardo Apolinário de Oliveira. O TCU também encaminhou à Polícia Federal pedido de abertura de inquérito.

Na outra ponta, os técnicos da CGU estimam que a checagem dos dados sobre mortos levará de três a quatro meses. O trabalho não é inédito. Levantamento semelhante foi feito no ano passado. Não foram detectadas distorções dignas de nota.

Nesse contexto, a única utilidade aparente da recontagem é dar sobrevida à empulhação de Bolsonaro. Cercado por uma CPI que expõe os erros que levaram o governo a desdenhar de vacinas contra a Covid, apostando num curandeirismo escorado na cloroquina, restou ao presidente apostar na mágica que reduziria os mortos a menos da metade.