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Josias de Souza

Em campanha, Bolsonaro saca contra Lula armamento petista do Bolsa Família

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

16/06/2021 02h16

A campanha presidencial antecipada de Bolsonaro ganhou um aroma petista. O presidente-candidato declarou que está "praticamente acertado" um reajuste do Bolsa Família. O valor médio do benefício saltará dos atuais R$ 190 para R$ 300 mensais. Coisa para dezembro. Até lá, o governo esticará o auxílio emergencial da pandemia.

Bolsonaro leva a novidade à vitrine num instante em que a CPI expõe suas culpas na crise sanitária, o vírus surfa uma terceira onda, a vacinação segue em ritmo de lesma com covid, a inflação faz sobrar mês no fim do salário, a conta de luz sobe, o desemprego azucrina 14,8 milhões de brasileiros, o centrão encosta a faca no pescoço e Lula cavalga uma ficha lavada e enxaguada pelo Supremo.

Sem partido e sem propósito, com a classe média antipetista em fuga, Bolsonaro opera para conquistar o eleitor de baixa renda pelo bolso. Uma evidência de que, em política, nada se perde e nada se transforma. Tudo se adapta. Até 2018, a relação de Bolsonaro com o Bolsa Família sempre foi de hostilidade.

O capitão chamava de "cabresto" do PT o programa de transferência de renda nascido da junção das bolsas da gestão tucana de FHC. Agora, planeja rebatizar a coleira e elevar a clientela das atuais 14,6 milhões de famílias para algo em torno de 25 milhões de lares.

Num instante em que cresce o número de brasileiros que vivem na extrema pobreza, o tônico do Bolsa Família terá enorme impacto social. Mas Bolsonaro não pensa senão no efeito reeleição. Saca contra Lula um armamento petista. Conforme já noticiado aqui, Bolsonaro diz a empresários e aliados que chegará a outubro de 2022 em triunfo.