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Josias de Souza

Futuro presidente do TSE,Alexandre de Moraes se imuniza contra bolsonarismo

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

14/07/2021 11h01

Ao compartilhar com o Tribunal Superior Eleitoral informações que colecionou no Supremo Tribunal Federal como relator dos inquéritos sobre fake news e atos antidemocráticos, Alexandre de Moraes imunizou-se contra futuras maluquices de Bolsonaro e seus seguidores. Os dados serão anexados ao pedido de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão, que corre na Corte eleitoral. Um processo que caberá a Moraes pautar, como sucessor de Luís Roberto Barroso no comando do TSE.

Pesa contra a chapa eleita em 2018 a acusação de uso de mensagens de WhatsApp como anabolizante eleitoral. Isso é crime, pois a lei não ampara robôs que disparam material a favor de um candidato ou contra o seu oponente. Apura-se também como foi financiado o truque eletrônico. Suspeita-se que o dinheiro correu por baixo da mesa, sem passar pela escrituração da campanha.

No limite, o caso pode levar à cassação da chapa. Entretanto, Alexandre de Moraes parece mais interessado em lembrar a Bolsonaro que o processo existe e que pode saltar da gaveta para a pauta se teses amalucadas como o cancelamento das eleições de 2022 continuarem frequentando as manchetes.

É improvável que o TSE se anime a passar a chapa Bolsonaro-Mourão na lâmina. A Justiça Eleitoral perderia o nexo, pois livrou de punição a dupla Dilma-Temer, em 2017, num processo bem mais fornido. Reuniram-se na época provas testemunhais e documentais de que dinheiro sujo da Odebrecht bancou a campanha. E o TSE optou por arquivar a encrenca por razões processuais, sem analisar as evidências. Ficou entendido que, na seara eleitoral, o crime também compensa.