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Josias de Souza

Hospitalização força Bolsonaro a ajustar estratégia para as redes sociais

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

16/07/2021 10h54

Em fase de derretimento nas pesquisas, Bolsonaro se desdobra para manter ativa sua cidadela mais estratégica: as redes sociais. Hospitalizado, teve de improvisar. Auxiliado pelo vereador federal Carlos Bolsonaro, o presidente assegurou aos seus devotos eletrônicos o suprimento regular de polêmicas.

Em condições normais, Bolsonaro trombetearia em sua tradicional live noturna das quintas feiras o passeio de moto que estava previsto para sábado, em Manaus. Impedido de levar ao ar a longa transmissão, falou para Sikêra Jr., um de seus apresentadores de estimação. Encaixou na conversa uma mensagem aos motoqueiros:

"Peço desculpas ao pessoal, é motivo alheio à minha vontade. Vamos deixar para outra data, se Deus quiser. Então agradeço a todos de Manaus pelo carinho e pela atenção. Sabia que ia ser um movimento excepcional, mas vamos deixar para outra oportunidade."

Para manter aceso o embate com a cúpula da CPI da Covid, Bolsonaro terceirizou postagens ao filho Carlos Bolsonaro. Chamou a comissão de "circo". Anotou que Renan Calheiros, Omar Aziz e Randolfe Rodrigues, respectivamente relator, presidente e vice-presidente da CPI, "estão mais para otários do que para três patetas."

Plugado às redes, Aziz fez com Carluxo o que Bolsonaro costuma fazer com as crianças que se aproximam dele nos comícios: arrancou-lhe a máscara. "Não quero acreditar que o presidente Jair Bolsonaro, num leito de hospital, esteja gastando energia pra atacar os senadores da CPI", escreveu Aziz.

O presidente da CPI prosseguiu: "Deve ter sido um moleque - que não tem coragem de mostrar o que é de verdade —que fica assacando quem o contraria. Se tivesse tido uma boa criação, talvez hoje tivesse a coragem esperada de um homem. Mas ainda vai crescer muito e levar uns cascudos da vida."

O problema da estratégia da família Bolsonaro é que o capitão fala para convertidos quando direciona sua comunicação para o habitat natural das redes sociais. Enquanto o capitão se deixar inebriar pela euforia ensaiada do cercadinho virtual, o alarme da impopularidade continuará tocando fora das redes