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Josias de Souza

Em época de Olimpíada, Bolsonaro soa como pesadelo que interfere no sonho

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

03/08/2021 19h06

O cérebro de Bolsonaro é uma espécie de terreno baldio no qual ele próprio atira o lixo que compõe a sua oratória tóxica. Num dos seus destampatórios, referiu-se ao tucano Bruno Covas, que feneceu de câncer em maio, nos seguintes termos: "...O outro, que morreu, fecha São Paulo e vai assistir a Palmeiras e Santos no Maracanã."

Filho do ex-prefeito paulistano, Tomás Covas, 15, que acompanhou o pai na arquibancada, lamentou "a fala dita hoje pelo incompetente e negacionista presidente Bolsonaro. Em uma fala covarde [...], ele atacou quem não está mais aqui conosco, não dando o direito de resposta ao meu pai. Além disso, cumprimos com todos os protocolos no estádio do Maracanã, utilizando a máscara e sentando apenas nas cadeiras permitidas."

Em tempo de Olimpíadas, Bolsonaro virou um pesadelo da realidade interferindo num evento que em que o brasileiro vive a alegre fantasia de atenuar suas ansiedades torcendo pela realização do sonho de medalhas como as que foram conquistadas por gente como Rayssa Leal, Rebeca Andrade e Ítalo Ferreira —atletas que têm cara de um Brasil que torce pelos lances bonitos da vida.