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Josias de Souza

Supremo e Congresso submetem pose de moderação de Bolsonaro a teste

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

13/09/2021 09h35

A carta-rendição escrita por Michel Temer e assinada por Bolsonaro acomodou no Planalto uma novidade muitas vezes prometida e jamais concretizada: um capitão moderado. A diferença é que agora a pose de comedimento foi renovada por escrito. O Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional oferecerão material para que Bolsonaro demonstre na prática sua disposição de virar um ex-Bolsonaro.

Presidente do Senado e do Congresso, Rodrigo Pacheco acena com a possibilidade de devolver ao Planalto nesta semana, por inconstitucional, a medida provisória editada por Bolsonaro às vésperas do 7 de Setembro, para mutilar o Marco Civil da Internet, dificultando a remoção de conteúdo raivoso e mentiroso das redes sociais. E o Supremo deve derrubar, também por inconstitucionalidade, artigos de decretos editados pelo presidente para facilitar a posse de armas de fogo à revelia do Estatuto do Desarmamento.

A decisão de Pacheco deve ser anunciada neste início de semana, provavelmente até quarta-feira. O julgamento do Supremo será feito no plenário virtual, onde os ministros votam por escrito. Começa na sexta-feira, dia 17. O veredicto sai em até uma semana. A MP que Pacheco deve devolver promoveu uma espécie de bolsonarização das redes sociais, concedendo a Bolsonaro e aos bolsonaristas salvo-conduto para continuar destilando ódio e propagando mentiras na internet. Nos decretos que o Supremo deve alterar, Bolsonaro deu vazão à teoria segundo a qual só um "idiota" prefere o feijão aos fuzis.

Em condições normais, as contrariedades levariam Bolsonaro a chutar o balde. Em matéria de redes sociais e de armas, a moderação seria uma traição à alma de Bolsonaro e aos seus devotos mais fieis. O problema é que o respeito às instituições não pode ser apenas uma pose. É preciso que Bolsonaro demonstre que, por trás da pose do ex-Bolsonaro criado por Michel Temer, existe uma noção qualquer de civilidade que não orna com o seu histórico. Por ora, reina a paz em Brasília. Até o início da próxima briga. Que pode explodir a qualquer momento.