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Josias de Souza

Classificadas por Bolsonaro de meras 'mentirinhas', fake news levam à morte

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

15/09/2021 09h33

Bolsonaro não tolera a corrupção, ama a democracia e sempre foi a favor das vacinas. O único defeito do presidente é que ele mente um pouco. Discursando para dezenas de pessoas no Planalto, o mito tratou o flagelo das fake news, câncer da modernidade, com hedionda naturalidade. "Faz parte da nossa vida", ele declarou, comparando o tumor que se alastra pelas redes sociais com uma "mentirinha" inocente contada para a namorada.

Ao contrário do que Bolsonaro tenta fazer crer, é crime difundir deliberadamente mentiras, mensagens de ódio e ataque às instituições. Teorias conspiratórias aniquilam instituições. Estímulos à agressão exterminam reputações. Posições anticientíficas matam pessoas. Nas redes sociais, a falsidade, o ódio e o charlatanismo são extremamente lucrativos. Remuneram pelo número de cliques.

Bolsonaro administrou a pandemia com base em duas verdades: a dele e a verdadeira. Segundo a Universidade de Oxford, do Reino Unido, as mortes por covid caíram 77% no Brasil nos últimos três meses. Em 13 de junho, o Brasil registrou 1.999 mortes na média móvel de sete dias. Na última segunda-feira, teve 465 mortes.

Nesse intervalo, o índice de brasileiros vacinados com duas doses de vacina pulou de 11% para 34%. Com tão pouco, os efeitos são extraordinários. Se a pandemia não tivesse sido tratada como uma "gripezinha" que estava no "finzinho", o Brasil teria desprezado a cloroquina e apressado a compra de vacinas. E muitos dos 588 mil brasileiros que a covid matou ainda estariam vivos. Não é por outra razão que Bolsonaro será indiciado pela CPI da Covid. A mentira, no seu caso, produziu cadáveres.