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Josias de Souza

Senado e Supremo consolidam-se como barricadas para deter bolsonarices

Evaristo Sá/AFP
Imagem: Evaristo Sá/AFP
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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

15/09/2021 04h59

Em decisões quase simultâneas, Rodrigo Pacheco e Rosa Weber dinamitaram a medida provisória que Bolsonaro havia editado para dificultar a remoção do lixo que o bolsonarismo joga nas redes sociais. Presidente do Senado e do Congresso, Pacheco devolveu a MP ao Planalto. Antes de saber que o mal já havia sido cortado pela raiz, Rosa, relatora de sete ações protocoladas no Supremo Tribunal Federal contra a MP, suspendeu a vigência do texto.

Desde a redemocratização do país, há 36 anos, o Congresso devolveu apenas cinco medidas provisórias, duas delas —40% do total— sob Bolsonaro. As outras foram enviadas de volta para Sarney, Lula e Dilma.

No ano passado, Davi Alcolumbre proporcionou a Bolsonaro a devolução de MP que dava poderes ao então ministro da Educação, Abraham Weintraub, para escolher reitores de universidades. Agora, Pacheco interrompe no nascedouro a tramitação da MP que deformava o Marco Civil da Internet para dificultar a remoção das redes sociais de mentiras e mensagens de ódio.

É a segunda canelada que Bolsonaro recebeu de Rodrigo Pacheco em apenas 20 dias. Na primeira, ele enviou ao arquivo o pedido de impeachment que o presidente protocolou no Senado contra o ministro do Supremo Alexandre de Moraes, agora promovido por Bolsonaro à condição de ex-canalha.

Ironicamente, Pacheco enviou a MP de volta para Bolsonaro horas depois de ser agraciado no Planalto com a comenda Marechal Rondon, honraria que o Ministério das Comunicações concedeu a 53 pessoas. Ao discursar na solenidade, Bolsonaro disse que fake news "faz parte da vida". Segundo ele, "não precisamos de regular isso daí."

Ficou entendido que há método nas tolices oficiais. No caso desta penúltima bolsonarice contida pelas barricadas do Senado e do Supremo, o objetivo seria a formalização no Brasil de uma espécie de mentirocracia.