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Josias de Souza

Filme esboçado pelo Datafolha sugere que Bolsonaro não terá um final feliz

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

17/09/2021 11h16

O Datafolha revela que o eleitorado brasileiro reage com um bocejo à movimentação dos candidatos à sucessão de 2022. O cenário é de estabilidade, com oscilações dentro da margem de erro. Lula se mantém na dianteira. As opções de terceira via comem poeira no acostamento. O que realmente chama a atenção é o derretimento do prestígio de Bolsonaro. O projeto da reeleição definha.

Costuma-se dizer que a pesquisa de opinião é o retrato de um momento. Isso é verdade. Mas as pesquisas feitas pelo Datafolha nos últimos nove meses, quando observadas em conjunto, compõem um filme sobre o desempenho de Bolsonaro na Presidência. O enredo sugere que o final não será feliz. O processo de derretimento do capitão é lento, mas exibe uma sólida e renitente constância.

A foto informa que a taxa de impopularidade do presidente bateu em 53%. Trata-se de um recorde. O filme revela que o índice de reprovação de Bolsonaro subiu 21 pontos percentuais desde dezembro. A taxa de aprovação, que era de 37% no final do ano, despencou para 22%. Um tombo de 15 pontos percentuais.

Bolsonaro ainda dispõe de pouco mais de um ano e três meses de mandato. Se fechasse a usina de crises que funciona em tempo integral no Planalto, teria dificuldades para restaurar sua imagem. Mantendo a fábrica de crises aberta, o presidente transforma seu plano de reeleição num projeto virtualmente falido.

Até o eleitorado evangélico, que Bolsonaro supunha ser fiel à sua pregação, já iniciou o êxodo. Há nove meses, a aprovação de Bolsonaro entre os evangélicos era de 40%. Hoje, é de 29%. Queda de 11 pontos percentuais.

Acontece com Bolsonaro um fenômeno muito comum entre os políticos. O sujeito acha que é uma coisa. Mas sua reputação indica que já virou outra coisa. O capitão tornou-se um presidente hemorrágico. E não sabe como fazer um torniquete.