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Josias de Souza

Prole de Bolsonaro replica fuligem mental do pai

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

21/09/2021 09h39

Sempre que as investigações da CPI da Covid encostam num membro da família Bolsonaro, os senadores empurram as suspeições com a barriga. A tática deu a Jair Renan uma sensação de invulnerabilidade. O Zero Quatro sente-se tão inatingível que resolveu cutucar a CPI com o pé para ver se a comissão morde. Ou os senadores fecham a mandíbula ou flertam com a desmoralização.

Os filhos de Bolsonaro sofrem da mesma moléstia que acomete o pai. Eles falam dez vezes antes de pensar. Quando pensam, de raro em raro, se perdem em pensamento porque sempre estão em território familiar. O presidente e seus filhos habituaram-se a fornecer ao país, em ritmo alucinante, doses regulares de insensatez.

O grande déficit do governo é o fiscal. Mas o maior déficit de Bolsonaro está entre as suas orelhas, não nos cofres do Tesouro Nacional. A fuligem mental de Bolsonaro torna o caso de sua prole ainda mais grave. As cabeças dos filhos funcionam como terrenos baldios onde o pai atira a sujeira que magnifica as psicoses da dinastia.

Numa semana, Eduardo Bolsonaro, o Zero Três, grava nas redes sociais um alvo na face de uma deputada que ousou contrariar o bolsonarismo. Noutra semana, Jair Renan, o Zero Quatro, escreve "Alô, CPI" na legenda de um vídeo no qual se exibe ao lado de uma vitrine apinhada de armas de fogo.

Bolsonaro e seus filhos consideram-se gênios. A CPI precisa transformar em realidade a ameaça de convocar Jair Renan. O depoimento revolucionará a investigação. Mas quatro ou cinco horas de exposição em rede nacional talvez sirvam para demonstrar que a diferença entre a genialidade e a estupidez é que a genialidade tem limites.