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Josias de Souza

Falta d'água sinaliza uma vocação para tragédia

Reprodução/Popular Mechanics
Imagem: Reprodução/Popular Mechanics
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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

01/10/2021 09h01

Na área ambiental, a tragédia significa, em última análise, um pouco de vocação. Em condições normais, flagelos como a falta d'água poderiam ser atenuados. Para que isso ocorresse, as pessoas teriam de prestar atenção a três temas chatos: aquecimento global, emissão de gases do efeito estufa e desmatamento da Amazônia.

Na origem do problema há gestores públicos ineptos e eleitores descuidados com a agenda ambiental. O descaso é tão acintoso que o meio ambiente sente-se como que compelido a enviar anualmente coroas de flores. Neste ano da graça de 2021, a natureza caprichou.

São Paulo enfrenta sua maior seca em 91 anos. O racionamento será maior agora do que em anos anteriores. A falta de chuvas impõe ao Brasil uma crise hídrica que aparece mensalmente como assombração na conta de luz. E ameaça reeditar o apagão que quase desligou a economia da tomada há duas décadas, na gestão FHC.

Sob Bolsonaro, o governo desmontou aparato de controle ambiental. Só de raro em raro o problema aparece nos lábios dos candidatos à Presidência. O meio ambiente logo deixará de mandar coroas de flores. Começará a atirar pás de cal na cara dos brasileiros. O Brasil tem vocação para a tragédia ambiental.