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Josias de Souza

Bolsonaro vê o Telegram como terreno baldio onde será jogado o lixo de 2022

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

13/10/2021 09h24

A migração da família Bolsonaro do WhatsApp para o Telegram é o mais eloquente sinal de que o capitão e sua prole vão à disputa de 2022 à procura de encrenca. O canal do presidente no aplicativo ultrapassou a marca de um milhão de inscritos.

Ao contrário do WhatsApp, que limita os grupos a 256 membros e restringe o alcance de mensagens replicadas muitas vezes, o Telegram segue a filosofia da moderação mínima. Autoriza grupos com 200 mil pessoas. Permite compartilhamento irrestrito.

Graças às suas características, o Telegram passou a ser visto por especialistas como uma espécie de terreno baldio no qual os produtores de fake news jogarão lixo eleitoral e desinformação na campanha do ano que vem.

O Telegram é uma empresa russa, sem representação no Brasil. Algo que inibe as sanções judiciais. E torna improváveis eventuais parcerias com órgãos como o Tribunal Superior Eleitoral, que rala para implantar um programa de Enfrentamento à Desinformação na eleição de 2022.

Bolsonaro se equipa para o jogo sujo como um delinquente reincidente. Isso acontece, em parte, por responsabilidade do próprio TSE, que se abstém de punir o presidente pelas perversões cometidas no verão passado.

Pesa contra a chapa Bolsonaro-Mourão, eleita em 2018, a acusação de uso de mensagens de WhatsApp como anabolizante eleitoral. Isso é crime. A lei não ampara robôs que disparam material a favor de um candidato ou contra o seu oponente.

Suspeita-se que a coisa foi financiada com dinheiro que correu por baixo da mesa, sem passar pela escrituração da campanha.

No limite, o caso poderia levar à cassação da chapa. Entretanto, o TSE retarda o julgamento, o que estimula a reincidência.

Não é que o crime não compensa. A questão é que, quando compensa, ele muda de nome. Passa a se chamar estratégia de campanha.