PUBLICIDADE
Topo

Josias de Souza

Entrevista de Aras tem aparência de strip-tease

Conteúdo exclusivo para assinantes
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

18/10/2021 09h37

A entrevista de Augusto Aras à Band tem a aparência de um strip-tease. Vestido, Aras declarou o seguinte: "Quem quer ser ministro do Supremo não pode ser PGR e vice-versa. O cargo de procurador-geral da República é extremamente conflituoso."

O entrevistado começou a abrir o paletó ao admitir que conversa sobre a hipótese de migrar para uma poltrona da Suprema. Trata do tema, segundo disse, em encontros, jantares, no corredor, numa sessão...

Aras se despiu ao declarar que, mesmo estando no cargo de procurador-geral, não exclui a possibilidade de ser "distinguido pelo presidente da República com a indicação" para o Supremo.

O procurador levou os glúteos à vitrine ao declarar que receberia o convite como "uma grande honra."

Fica mais fácil de compreender a blindagem que Aras fornece a Bolsonaro ao se comportar como um antiprocurador.

Como diz o próprio Aras, "quem quer ser ministro do Supremo não pode ser procurador-geral." Pela simples razão de que aquele que deseja ser honrado com a indicação ao Supremo tende a não procurar nada que possa representar embaraços para quem tem o poder de fazer a indicação. É nítido o conflito de interesses.