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Josias de Souza

CPI é espinho no pé do presidenciável Pacheco

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

24/10/2021 12h22

Lançado como candidato ao Planalto em evento do PSD, no Rio de Janeiro, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, entra na corrida presidencial com um espinho no pé. Terá de providenciar uma boa explicação para justificar as manobras que patrocinou contra a CPI da Covid e as críticas que fez à investigação parlamentar que rendeu o indiciamento de Bolsonaro em nove crimes.

Advogado, Pacheco afrontou a Constituição ao engavetar o requerimento que pedia a instalação da CPI. "Eu considero que a Comissão Parlamentar de Inquérito é algo que pode atrapalhar esse momento da busca de soluções do enfrentamento da pandemia", disse o senador em março. No mês seguinte, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, ordenou que Pacheco abrisse a gaveta.

Confirmada pelo plenário do Supremo por 10 votos a 1, a decisão de Barroso levou Pacheco a fazer por pressão o que não fizera por opção. Mesmo depois da ordem judicial, o chefe do Senado afirmou que a investigação parlamentar seria "um ponto fora da curva". Avaliou que a CPI poderia se converter no "coroamento do insucesso nacional no enfrentamento da pandemia."

Deu-se o oposto. Além de levar à vitrine o negacionismo de Bolsonaro e as medidas anticientíficas do seu governo, a CPI iluminou a picaretagem do mercado paralelo de vacinas, forçando o governo a apressar a aquisição dos imunizantes que chegaram com atraso ao braço dos brasileiros.

Ironicamente, o presidente do Senado declarou que as sessões da CPI poderiam antecipar a disputa eleitoral de 2022, servindo de "palanque político" para potenciais candidatos. Neste sábado (23), três dias antes da aprovação do relatório em que a CPI relaciona os crimes atribuídos a Bolsonaro, o próprio Pacheco foi "convocado" a escalar o palanque pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab.