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Josias de Souza

Alta dos juros dificulta a reeleição de Bolsonaro

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

28/10/2021 10h59

No Brasil, quem está economizando para os dias ruins deve começar a poupar para os dias piores. Bolsonaro herdou de Michel Temer um teto de gastos e uma taxa de juros de 6,5%. O teto foi para os ares. E o Banco Central acaba de elevar os juros de 6,25% ao ano para 7,75%. O aumento de 1,5 ponto percentual foi o maior desde dezembro de 2002. O BC sinalizou que haverá aumento igual em dezembro. Os juros fecharão o ano em 9,25%, numa escalada que elevará a taxa para os dois dígitos no início do ano eleitoral de 2022. Isso tem implicações políticas. Dificulta o plano de Bolsonaro de se reeleger.

Sem a ajuda de Paulo Guedes, que trocou a função de ministro da Economia pela de tesoureiro do comitê reeleitoral de Bolsonaro, Roberto Campos Neto, o presidente do Banco Central, passou a carregar sozinho o piano do controle da carestia. Às voltas com uma inflação que roda acima dos 10 pontos no acumulado de 12 meses, o BC precisa aproximar esse índice da meta anual de 3,75%. Quanto mais eficiente for a política de contração monetária maior será o risco de recessão em 2022.

O Banco Central parece propenso a levar a sério aquilo que Paulo Guedes chamou de "conversinha" ao desdenhar das estimativas do mercado sobre o alto custo da balbúrdia fiscal. O economista Mário Henrique Simonsen, que morreu em 1997, dizia que, em teoria econômica, o que não é óbvio é quase sempre besteira. Aluno de Simonsen, Guedes deve ter faltado a essa aula.

Como não há popularidade sem prosperidade, Bolsonaro terá de aperfeiçoar sua mágica política para obter a reeleição. Com câmbio nas alturas, inflação e juros em alta, além do desemprego a pino, já não basta ao presidente tirar coelhos da cartola. Precisará tirar cartolas de dentro do coelho.