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Sob Bolsonaro, preço da vaga no STF é conivência eterna com ele e sua prole

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Josias de Souza

Colunista do UOL

28/10/2021 09h34

Na política, o que te dizem em público nunca é tão importante quanto o que você ouve sem querer. No intervalo de uma entrevista ao vivo, sem saber que estava no ar, Bolsonaro perguntou: "Quanto você acha que vale a vaga para o Supremo?" A resposta é muito simples. Sob Bolsonaro, o preço da indicação para o Supremo é a conivência.

Tramita na Segunda Turma do Supremo, por exemplo, recurso do primogênito Flávio Bolsonaro para assegurar foro privilegiado no caso da rachadinha. O presidente da turma é Nunes Marques, que sentou em cima de um processo que aguarda na fila de julgamento há arrastados dez meses. A demora é conveniente, pois paralisa as investigações contra o primogênito.

É como se Nunes Marques, o primeiro magistrado indicado por Bolsonaro para a Suprema Corte, empurrasse o julgamento com a barriga à espera da chegada do terrivelmente evangélico André Mendonça. Segundo escolhido pelo capitão, Mendonça também irá compor a Segunda Turma se conseguir ultrapassar o calvário a que vem sendo submetido no Senado.

Outros presidentes já vestiram a toga em auxiliares diretos e apaniguados. Mas nenhum foi tão espalhafatoso quanto Bolsonaro. São muitos os processos e investigações que encostam no presidente, em sua prole e nos seus aliados. E o dono da caneta não hesita em expôr as faturas à luz do dia. Sobre Mendonça, Bolsonaro já informou que, confirmando-se a nomeação, terá de almoçar uma vez por semana com ele. Será uma toga do tipo prato feito, mastigando suas decisões na mesa do Alvorada. O preço da indicação é a absoluta submissão.

No programa Pânico, da Jovem Pan, Bolsonaro soou menos imprevisível ao dizer exercitar sua tradicional impaciência com perguntas inoportunas. O humorista André Marinho fez uma indagação genérica sobre rachadinhas. Sem mencionar Flávio Bolsonaro, indagou se "rachador deveria ir para a cadeia".

O capitão subiu nas tamancas. Disse que o pai do seu imitador, seu ex-amigo Paulo Marinho, a quem acomodou na suplência de Flávio no Senado, está de olho na poltrona do seu primogênito. Diante da perspectiva de retomada do tema, Bolsonaro retirou-se da entrevista. O presidente adora falar o que bem entende. Mas não desenvolveu o hábito de ouvir.

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