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Josias de Souza

Viciado em verba pública, Jefferson diz que capitão adquiriu o mesmo vício

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

28/10/2021 10h49

Há três tipos de bolsonaristas na praça: os fanáticos, que cultuam o mito de graça, os mercenários, que lucram monetizando as mentiras em canais da internet e embolsando verbas do orçamento secreto, e os renegados, que vão sendo abandonados no meio da guerra. Incorporado à ala dos enjeitados, Roberto Jefferson partiu para o ataque.

Em carta escrita desde a cadeia, para onde foi enviado depois de pegar em armas nas redes sociais por um golpe militar com Bolsonaro, Jefferson agora diz que o capitão foi infectado pelo vírus que provoca o "vício nas facilidades do dinheiro público".

O preso havia convidado Bolsonaro a ingressar no seu PTB. Irritou-se porque o presidente preferiu abrir negociações com outras duas legendas: o PL de Valdemar da Costa Neto e o PP de Ciro Nogueira e Arthur Lira.

Assim como Jefferson, os caciques do centrão não rasgam dinheiro. Oferecem abrigo a Bolsonaro porque, embora sua reeleição esteja em perigo, as verbas que o presidente ainda tem a oferecer financiarão a eleição de bancadas maiores na Câmara. Quanto maior a bancada, mais gorda a fatia do fundo partidário. E mais incontornável a chantagem fisiológica a ser feita ao próximo presidente, seja ele quem for.

"Quem anda com lobo, lobo vira, lobo é. Vide Flávio", anotou Jefferson em sua carta, encostando sua irritação na imagem rachadinha de Bolsonaro e sua prole. Roberto Jefferson foi um dos coronéis da tropa de choque do então presidente Fernando Collor. Depois de se converter aos encantos monetários da gestão Lula, detonou o mensalão. Puxou cadeia junto com o mensaleiro Valdemar, do PL. Conhece as mumunhas que levaram o PP de Lira e Nogueira ao topo das legendas encrencadas no petrolão.

Os deputados do PTB também estão na fila das emendas secretas do governo Bolsonaro. Se Jefferson diz que Bolsonaro se viciou em dinheiro público, convém não discutir com um especialista.