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Josias de Souza

Lula e Bolsonaro oferecem um aperitivo de 2022

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

03/12/2021 09h40

Lula e Bolsonaro travaram um embate ao vivo e à distância. Foram ao ar no mesmo horário. O candidato petista exibiu-se no YouTube, numa entrevista ao podcast Podpah. O capitão fez sua aparição semanal na live transmitida via Facebook e YouTube. A prosa de ambos incluiu política social.

Ao lado de João Roma, ministro do Auxílio Brasil, Bolsonaro alardeou o novo benefício, versão piorada do Bolsa Família. Primeiro colocado nas pesquisas, Lula chamou o segundo colocado de "anomalia política". E criticou a mudança do nome do programa social lançado no seu governo. Lembrou que o Bolsa Família "foi eleito diversas vezes o melhor programa de transferência de renda no mundo."

A frase de Lula lembrou o título dado a Bolsonaro na terça-feira pelo PL. O partido de Valdemar Costa Neto, ex-apoiador do governo Lula e ex-preso do mensalão, chamou seu novo filiado de "presidente que faz o maior programa social do mundo."

Lula e Bolsonaro passaram uma borracha em trechos do passado. Quando era apenas um deputado do baixo clero da Câmara, Bolsonaro chamava o Bolsa Família de crime. Dizia que o programa era um "cabresto" que o PT colocava no eleitorado pobre. Agora, o capitão fura o teto de gastos e dribla a Lei de Responsabilidade Fiscal para comprar a sua própria coleira.

O Bolsa Família também traz na certidão de nascimento uma troca de nome. Chamava-se Bolsa Escola no governo tucano de FHC. Ex-ministro da Educação de Lula, Cristovam Buarque avalia que as duas emendas pioraram o soneto. No primeiro rebatismo, feito por Lula, perdeu-se o vínculo do benefício social com a escolarização das crianças pobres. No segundo, feito por Bolsonaro, o socorro à família ganhou ares de mero auxílio clientelista.

O embate indireto de Lula e Bolsonaro foi um aperitivo do que está por vir em 2022 —um festival de desconversa entrecortado por surtos de amnésia. Lula bateu Bolsonaro na audiência. No cinismo, houve empate.