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Josias de Souza

Reforma ministerial consolida casamento de Bolsonaro com siglas do centrão

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

06/12/2021 09h59

Após casar com centrão, Bolsonaro negocia com os partidos do grupo cargos que ficarão vagos com a reforma ministerial a ser feita até o início de abril. Será uma reforma compulsória, já que pelo menos 12 ministros cogitam trocar a Esplanada pelo palanque. Disputarão governos estaduais ou mandatos de deputado e senador. A lei determina que os candidatos precisam deixar os cargos executivos pelo menos seis meses antes das eleições, marcadas para 2 de outubro.

Participam mais ativamente da briga por ministérios os dirigentes do PL, novo partido de Bolsonaro, do PP e do Republicanos. Pedem a manutenção de posições já conquistadas. E reivindicam cofres novos. Hoje, afora posições de segundo escalão, o PL ocupa a Secretaria de Governo da Presidência com a ministra Flávia Arruda, que deve concorrer ao Senado. O PP comanda a Casa Civil, com Ciro Nogueira, que cogita disputar o governo do Piauí. E o Republicanos controla o Ministério da Cidadania, com João Roma, que oscila entre a disputa do Senado e do governo da Bahia.

A legenda mais gulosa é o PL. Seu dono, o ex-presidiário do mensalão Valdemar Costa Neto, já filiou ou espera filiar seis ministros que deixarão o governo para pedir votos: Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Tereza Cristina (Agricultura), Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), Onyx Lorenzoni (Trabalho), Gilson Machado (Turismo) e Damares Alves (Direitos Humanos). Valdemar considera natural herdar as pastas dos novos correligionários. Enxerga os orçamentos dos ministérios como uma espécie de dote do casamento com o presidente.

Bolsonaro tenta combinar o apetite dos aliados com suas próprias necessidades. Não abre mão, por exemplo, de conservar sob estrito controle a pasta da Justiça, que tem sob o seu guarda-chuva a Polícia Federal. Confirmando-se a saída do ministro Anderson Torres, pode assumir o cargo delegado Alexandre Ramagem. Seria a troca de um amigo por outro. Há de tudo nas articulações da reforma ministerial, exceto interesse público.

Encontram-se sobre o balcão, em ordem de relevância político-financeira, as poltronas ocupadas por Ciro Nogueira (Casa Civil), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Tereza Cristina (Agricultura), Fábio Faria (Comunicações), Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), João Roma (Cidadania), Marcelo Queiroga (Saúde), Onyx Lorenzoni (Trabalho), Anderson Torres (Justiça), Flávia Arruda (Secretaria de Governo), Gilson Machado (Turismo) e Damares Alves (Direitos Humanos).