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Josias de Souza

Bolsonaro desafia Moraes a mandar prendê-lo: 'Está no quintal. Vai entrar?'

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

09/12/2021 09h05

Quem acreditou na variante moderada de Bolsonaro que surgiu depois do surto antidemocrático do feriado de 7 de Setembro fez papel de bobo. Bolsonaro voltou a alfinetar numa entrevista os seus desafetos no Supremo: Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. Classificou como "violência" as ordens de prisão emitidas por Moraes contra bolsonaristas como o pseudojornalista Allan dos Santos, o suposto caminhoneiro Zé Trovão e o ex-deputado golpista Roberto Jefferson. Bolsonaro tachou de "abuso" a decisão de Moraes de abrir inquérito contra ele por ter declarado numa live que os vacinados contra Covid ficam propensos a contrair o vírus da Aids.

As falas de Bolsonaro soaram numa entrevista a um programa do jornal Gazeta do Povo, exibido no YouTube. No trecho em que criticou Moraes por mandar prender seus apoiadores, Bolsonaro falou como se desafiasse o ministro a emitir uma ordem de prisão contra o presidente da República: "Ele está no quintal de casa. Será que ele vai entrar? Será que ele vai ter coragem de entrar? Não é um desafio para ele. Quem avançando é ele, não sou eu."

Aborrecido com o pedido de explicações de Luís Roberto Barroso sobre a "inércia" do governo diante do avanço da Ômicron, nova cepa do coronavírus, Bolsonaro insinuou que o ministro trama exigir "numa canetada só" o comprovante de vacina aos viajantes que chegam ao Brasil. Insinuou que foi por isso que o governo decidiu editar a portaria que condiciona a entrada dos não vacinados no país à quarentena de cinco dias. Bolsonaro revelou ter participado da parte final da reunião em que a portaria foi discutida. Esboçou um sorriso com o canto da boca ao falar de quarentena.

Fica entendido que aquele Bolsonaro moderado da carta de desculpas escrita por Michel Temer 48 horas depois dos arroubos de 7 de Setembro era apenas uma versão teatral encenada para retirar um presidente golpista das cordas. O capitão chamara Moraes de "canalha" e Barroso de "farsante". Parece não ter mudado de opinião. Talvez precise de uma segunda dose do tranquilizante Temer. O prazo de validade da primeira dose está vencido.