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Josias de Souza

Jantar com Lula e Alckmin foi ritual de acasalamento político de ex-rivais

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

20/12/2021 10h38

O encontro de Geraldo Alckmin com Lula, no jantar organizado por advogados num restaurante chique de São Paulo, virou parte do ritual de acasalamento político que levará à composição da chapa Lulalckmin. Toda a retórica exibida no evento aponta para a formalização da aliança entre os dois ex-adversários históricos.

Alckmin disse que é hora de "união" e "grandeza política". Dias depois de deixar o PSDB, foi celebrado por petistas. Posou para fotos ao lado de Lula. vSorriu ao ouvir gritos de "iva o futuro vice-presidente do Brasil".

Lula, antecipando-se às críticas que estão por vir, disse que "não importa se no passado fomos adversários, se trocamos algumas botinadas, se no calor da hora dissemos o que não deveríamos ter dito."

Sem mencionar Bolsonaro, o pajé do PT utilizou seu adversário predileto como álibi para uma composição que parecia improvável: "O tamanho do desafio que temos pela frente faz de cada um de nós um aliado de primeira hora."

Esse tipo de reconciliação tem um lado bom e outro ruim. Num instante em que Bolsonaro valoriza a política baseada no ódio, é bom que os políticos continuem a se falar. Política é, no final das contas, isso mesmo. Quando se deixa de falar, a opção é trocar sopapos. Ou tiros. No limite, chega-se à guerra civil.

Por outro lado, é evidente que a falsidade que marca as rupturas e as reconciliações dos políticos brasileira servem para reforçar a convicção de que a política é o território da farsa. Não se deve levar a atividade a sério, muito menos a seus atores.

O Datafolha indica que Bolsonaro levou o brasileiro a colocar a falsidade em segundo plano, pois 70% dos eleitores afirmam que a eventual aliança de Lula com Alckmin não altera a sua intenção de voto. O caminho para a aliança está ladrilhado.