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Josias de Souza

Convém suprimir o ódio da celebração do Natal

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

24/12/2021 19h07

Submetidas nos últimos anos à dinâmica de uma política envenenada, as pessoas que cultivam opiniões diferentes deixaram de se enxergar, pararam de se ouvir. Incorporaram desavenças alheias. Amigos e parentes passaram a se tratar como inimigos. O Natal é uma boa data para que todos percebam que não são —ou não deveriam ser— rivais. São brasileiros. Mais: são avôs, pais, filhos, irmãos, tios, primos... Família.

A disputa presidencial de 2022 chegou antes da virada do ano. Ganhou aparência de briga de pátio de colégio. Uma briga em que o eleitor desatento se arrisca a entrar com a cara. Simultaneamente, os adversários procuram suas turmas. Lula namora a ideia de acomodar na sua vice o Alckmim, que o chamava de ladrão. O flerte é plenamente correspondido. Bolsonaro se filia ao PL de Valdemar, o ex-preso do mensalão petista. E o general Heleno já não pode cantar "se gritar pega centrão, não fica um, meu irmão."

Terceiro colocado nas pesquisas, o ex-juiz Moro agora convive com operadores que tricotam o apoio do União Brasil à sua candidatura. Trata-se de um projeto de partido nascido da cruza do DEM com o PSL. O presidente é Luciano Bivar, processado sob a acusação de inventar candidaturas laranjas de mulheres para desviar verbas públicas. Nesse ambiente, os torcedores fanáticos precisam refletir sobre o que fazer com a raiva que estocaram para alimentar suas lacraias interiores.

O Brasil amarga duas patologias: a Covid e o ódio. Contra a primeira, o remédio é a vacina. Contra a segunda, há dois imunizantes tão conhecidos quanto indisponíveis neste Brasil de Bolsonaro: sensatez e moderação.

A Bíblia ensina no livro de Eclesiastes que há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu.

Tempo de matar e tempo de curar. Tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las. Tempo de rasgar e tempo de costurar. Tempo de odiar e tempo de amar. Tempo de lutar e tempo de viver em paz. Convém retirar o ódio pelo menos da ceia de Natal.