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Graças à ruína de Bolsonaro, Lula joga parado

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

20/01/2022 12h23

Lula soa repetitivo. Reafirmou que vai à sucessão de 2022 para vencer, não para fazer pose de protagonista. Num instante em que uma facção do PT impulsiona a hashtag "Lula sem chuchu", o xamã petista voltou a sinalizar a intenção de incluir a trepadeira da família das cucurbitáceas na sua salada eleitoral. Repetiu que não vê "nenhum problema" em compor uma chapa com Geraldo Alckmin na posição de vice. A pergunta a ser feita agora é a seguinte: para que serve o chuchu?

Escalando o salto alto, Lula declarou novamente que é fácil vencer a eleição, difícil é governar. Daí a necessidade de fazer alianças. A ruína da gestão Bolsonaro torna as coisas mais fáceis para o rival petista. Tão fáceis que Lula se mantém no topo das pesquisas fingindo que Dilma não existe, escondendo os planos de governo e prometendo esconjurar o negacionismo, devolver os generais aos quarteis e governar para os pobres.

O problema é que o PT não é um partido virgem. Governou o Brasil por 14 anos. Quem olha pelo retrovisor sabe quais são os riscos. Depois de mastigar o chuchu, Lula celebrará uma aliança com a banda bandalha do Congresso, numa reedição de esquemas que deram no mensalão e no petrolão.

No passado remoto, quando queria neutralizar o Congresso, o Executivo fechava-o. De uns tempos para cá, passou a comprá-lo. Num processo iniciado na Presidência de Sarney, azeitado na administração FHC, exacerbado na Era Lula, recauchutado sob Temer e repaginado com Bolsonaro, o Executivo vem obtendo apoio circunstancial no Legislativo graças ao suborno.

Collor e Dilma piscaram. Foram depostos. No momento, funciona em Brasília uma nova usina de escândalos. Pisca no letreiro uma logomarca que não deve sobreviver às urnas: "Orçamento Secreto." As cuias do Congresso, uma emborcada para baixo, a outra para cima, foram novamente reduzidas a templos de trambiques.

A perversão é escorada num vocábulo pomposo: governabilidade. Trata-se na verdade de um eufemismo usado para esconder outra palavra reles: safadeza. A pretexto de compor maiorias, os presidentes apostam o patrimônio eleitoral em negociações com agrupamentos suspeitos do Congresso.

Lula deveria brindar o pedaço do eleitorado que se dispõe a votar nele com informações sobre o que fará e, sobretudo, como pretende fazer caso obtenha um terceiro mandato. Considerando-se o que já realizou no poder federal, tudo haverá de ser feito, naturalmente, dentro da lei.

Na Presidência, Lula costumava recorrer a duas leis muito acionadas na política brasileira: a lei do mais forte e a lei da selva. Nesse jogo, deve-se tomar cuidado para não confundir pose com dignidade, mesmice com profundidade, candidato com divindade e chuchu com preciosidade.