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Josias de Souza

Juiz Sergio quebraria o sigilo do candidato Moro

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

24/01/2022 09h19

Quando trocou o altar de Curitiba pelo viveiro de víboras de Brasília, Sergio Moro comportou-se como se fosse portador de um destino. Como ministro da gestão ruinosa de Bolsonaro, o ex-juiz tornou-se uma fatalidade. Deixou o governo chutando a porta, fazendo pose de candidato. Passado o período de quarentena, virou sócio-diretor da consultoria americana Alvarez & Marsal. Nessa hora, candidatou-se a um bom saldo bancário, não à Presidência da República.

Agora, Moro percorre com pés de barro o circuito da corrida presidencial de 2022. Esconde os ganhos que obteve numa consultoria que amealha 70% do seu faturamento milionário no Brasil socorrendo empresas encalacradas na Lava Jato: Grupo Odebrecht, OAS e Galvão Engenharia. Acossada pelo Tribunal de Contas da União, a consultoria Alvarez & Marsal recorre a decisões do Supremo Tribunal Federal para manter em segredo os ganhos de Moro.

Moro nega o inegável conflito de interesses. Afirma que não atuou em favor de encrencados na Lava Jato. Em timbre altruísta, alega que se dedicou a "ajudar empresas a fazer a coisa certa", ensinando "políticas de integridade" e ministrando lições "anticorrupção."

Se um juiz chamado Sergio tivesse que julgar o comportamento do consultor Moro decerto determinaria a quebra do seu sigilo.

Quando comandava a 13ª Vara Federal de Curitiba, Moro jactava-se de observar o princípio da transparência, privilegiando sempre o interesse público. No momento, nada pode interessar mais ao público do que o comportamento moral de um postulante à Presidência.