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Josias de Souza

Além de não privatizar, Guedes quer premiar gestor de estatais deficitárias

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

26/01/2022 12h39

Como economista, Paulo Guedes revelou-se no governo Bolsonaro um ficcionista que venceu na vida. Prometera reformar o Estado, eliminar subsídios, zerar o déficit no primeiro ano e arrecadar R$ 1 trilhão com a venda de estatais. Não privatizou nenhuma empresa. E chega ao último ano do governo acenando com a hipótese de pagar bônus de até 1,5 salário a diretores de estatais deficitárias.

Há pelo menos 18 estatais que penduram prejuízos no Tesouro Nacional. Desse total, sete já enviaram ao Ministério da Economia suas planilhas de bonificação. Outras quatro sinalizam a intenção de entrar na fila. O salário dos executivos chega a R$ 32 mil. O bônus pode adicionar ao contracheque mais de R$ 48 mil. Estima-se que a farra pode custar algo como R$ 1 milhão.

A lista de estatais que desejam premiar com verbas públicas a ineficiência de seis dirigentes inclui elefantes brancos como a Companhia Brasileira de Trens Urbanos; a CPRM, Serviço Geológico do Brasil); a Empresa de Planejamento e Logística;e até a Empresa Brasil de Comunicação, que já foi chamada de TV Lula e hoje é a TV Bolsonaro.

Há várias maneiras de se atingir o desastre. Sob Bolsonaro, há três formas: a mais letal é negacionismo do presidente, a mais segura é a rendição ao centrão e a mais cara é a ficção de Paulo Guedes. Nela, quando o circo pega fogo, todos correm para a bilheteria. Nas repartições públicas e nas estatais, há sempre patriotas dispostos a sentir na própria pele insuportáveis vantagens.