PUBLICIDADE
Topo

Josias de Souza

Vacina Temer perde eficácia e Jair Bolsonaro rosna para Alexandre de Moraes

Montagem
Imagem: Montagem
Conteúdo exclusivo para assinantes
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

28/01/2022 18h19

No último feriado de 7 de Setembro, Bolsonaro chamou Alexandre de Moraes de "canalha" e avisou que não cumpriria decisão que viesse dele. Apenas 48 horas depois do surto, o capitão recebeu uma dose de imunizante antirrábico da marca Michel Temer. Decorridos menos de cinco meses, a vacina perdeu a eficácia.

Num aceno ao seu eleitorado radical, Bolsonaro rosnou para Moraes. Colocou um pé fora do quadrado constitucional ao desobedecer a ordem de depor à Polícia Federal. Recorreu fora do prazo. Ao refugar o recurso, Moraes fez um risco no chão. Armou-se o impasse. A encrenca não termina sem alguma desmoralização.

Bolsonaro se diz convencido de que a delegada Denisse Ribeiro está predisposta a indiciá-lo no inquérito em que é acusado de distorcer dados sigilosos da PF para desacreditar as urnas eletrônicas. A doutora não tem predisposição. Tem apenas perguntas. Se não conseguir formulá-las, desmoraliza-se Moraes.

O ministro queixa-se da deslealdade do investigado. Informado de que teria de depor em 15 dias, Bolsonaro mandou a Advocacia-Geral da União avisar que estava de acordo. Pediu prazo de dois meses. Atendido, esquivou-se de exercer a prerrogativa de escolher data e local. Intimado, deu piti na véspera. Moraes bateu o pé. Prevalecendo o ministro, desmoraliza-se a variante golpista do Planalto.

Moraes presidirá a Justiça Eleitoral durante a sucessão. Suspeita que o investigado questionará as urnas. A premissa é falsa, pois a implicância de Bolsonaro não é com o método da coleta de votos. Como Donald Trump, ele implica com a hipótese do resultado adverso. Contra esse pano de fundo, o pior que poderia acontecer agora é nada. Em certos cenários, nada é uma palavra que ultrapassa tudo.