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Militares precisam esclarecer se endossam ataques de Bolsonaro às urnas

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

29/04/2022 09h36

Nada é mais falso do que as verdades de Bolsonaro sobre o sistema eleitoral. Ele serve rotineiramente ao país um sanduíche de distorções. As torradas são o STF e o TSE. O recheio é feito de farda moída. Na sua live semanal das noites de quinta-feira, o presidente insinuou que a Justiça Eleitoral resiste em aceitar às sugestões das Forças Armadas, que "continuam trabalhando", segundo ele, para "convencer o TSE".

Na véspera, Bolsonaro já havia insinuado que as as eleições de 2022 só serão limpas se houver uma apuração paralela dos votos feita pelas Forças Armadas. Algo que teria sido solicitado pelos militares. Numa troca de telefonemas, o chefe do TSE, ministro Edson Fachin, convenceu Rodrigo Pacheco e Arthur Lira, presidentes do Senado e da Câmara a defenderem as urnas eletrônicas. Pacheco e Lira fizeram as declarações protocolares nas redes sociais. Foram ignorados por Bolsonaro.

É preciso mais do que palavras. Fachin precisa expor à luz do Sol as reais sugestões feitas pelas Forças Armadas e o encaminhamento que foi dado a cada uma delas. O ministro da Defesa, general Paulo Sergio Oliveira, que tachou de "grave ofensa" a declaração de Luís Roberto Barroso de que as Forças Armadas "estão sendo orientadas para atacar o processo" eleitoral, precisa se reposicionar em cena.

Bolsonaro deixou as Forças Armadas numa situação muito parecida com a do McDonald's. Notificada pelo Ministério da Justiça para explicar a suspeita de que o novo McPincanha não é feito de picanha, a rede de lanchonetes teve de retirar o sanduíche do cardápio. Não havia nos sanduíches nada além de molho aromatizado de carne. O ministro da Defesa precisa esclarecer se o McMilico que Bolsonaro serve ao país tem militar ou apenas um molho com aroma de empulhação.