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Descaso de Bolsonaro prevalece sobre o esforço do MPF para proteger índios

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

03/05/2022 09h31

O repórter Carlos Madero informa que cresceu expressivamente (380%) o número de ações do Ministério Público Federal para tentar fornecer a comunidades indígenas o respeito e a proteção que Bolsonaro sonega. Entretanto, a sete meses do encerramento do atual mandato, já ficou demonstrado que a obsessão de Bolsonaro é maior do que qualquer esforço para restabelecer o bom senso do governo na proteção dos territórios indígenas.

Em matéria ambiental, Bolsonaro se assombra com os fantasmas errados há quase três décadas. As ONGs que atuam na Amazônia e os índios são dois dos seus fantasmas prediletos. Bolsonaro ainda aprendia a andar pelos corredores da Câmafa quando o então presidente Fernando Collor assinou, em maio de 1992, o decreto que homologou a reserva dos índios Yanomami.

Num pronunciamento de novembro de 1995, o então deputado Bolsonaro declarou: "Com a indústria da demarcação das terras indígenas, assim como Quebec quase se separou do Canadá, num curto espaço de tempo, os yanomamis poderão, com o auxílio dos Estados Unidos, vir a se separar do Brasil".

Decorridos quase 27 anos desse discurso, o "curto espaço de tempo" de Bolsonaro ainda não chegou. Os yanomamis continuam submetidos ao descaso do Estado brasileiro, que não consegue evitar a invasão de mineradores ilegais à reserva. E os Estados Unidos ainda não invadiram a Amazônia.

Nos últimos três anos e cinco meses, Bolsonaro dedicou-se a transferir para o Planalto obsessões que cultivou no seu período como frequentador do baixo clero parlamentar. A respeitabilidade ambiental que o Brasil levou duas décadas para conquistar virou cinzas.

A boa imagem do Brasil arde graças a um governo que afrouxou a engrenagem fiscalizatória, rasgou dinheiro doado por parceiros estrangeiros, fechou os olhos para as violações à floresta e hostiliza índios.

A gestão Bolsonaro é a verdadeira assombração, não os territórios indígenas. Felizmente, o Planalto não é um território que possa ser demarcado permanentemente por Bolsonaro. Os próximos governo terão a oportunidade de restabelecer a racionalidade no setor ambiental. Dará trabalho. Mas é possível.