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Josias de Souza

Bolsonaro usa contra TSE tática do punguista

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

13/05/2022 09h56

Uma característica fundamental da dificuldade de avaliar Bolsonaro é ter que ouvir o personagem durante três anos e cinco meses para chegar à conclusão de que ele não diz nada que faça nexo. No seu embate permanente com a Justiça Eleitoral, Bolsonaro adotou uma tática muito utilizada pelos batedores de carteira para confundir suas vítimas.

Em reação aos surtos de Bolsonaro contra o sistema eleitoral eletrônico, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Edson Fachin, elevou o tom. Declarou que a Justiça Eleitoral está "aberta a ouvir" sugestões, "mas jamais se curvará a quem quer que seja". Num trocadilho, o ministro rendeu homenagens ao óbvio: "Quem trata de eleições são forças desarmadas".

Ao responder a Fachin, Bolsonaro deu uma de desentendido. Depois de atiçar seus generais contra o TSE, de mentir sobre uma inexistente sugestão do Ministério da Defesa para que as Forças Armadas fizessem apuração paralela das urnas e de declarar que seu partido pagará uma empresa privada para auditar as eleições... depois de tudo isso, Bolsonaro disse: "Eu não sei de onde ele [Fachin] está tirando esse fantasma de que as Forças Armadas querem interferir na Justiça Eleitoral".

Bolsonaro age com o TSE mais ou menos como o punguista que bate a carteira e depois sai gritando "pega ladrão". Resta saber até onde os militares permitirão que o presidente use as Forças Armadas como cúmplices a sua carreira de batedor de carteira ideológico.