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Bate-boca dá à PGR uma aparência de boteco

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

24/05/2022 19h33

Sob o comando do antiprocurador Augusto Aras, a Procuradoria-Geral da República vive dias turbulentos. É grande e crescente o desconforto dos colegas com a indisposição do procurador-geral para o exercício do ofício de procurar. Normalmente, as críticas soam entre quatro paredes. Mas às vezes explodem barracos do nada, diante das câmeras. Foi o que sucedeu numa sessão do Conselho Superior da PGR, na tarde desta terça-feira. Não fosse pela intervenção da turma do "deixa disso", o rififi teria evoluído para uma troca de socos de Aras com o subprocurador-geral da República Nívio de Freitas.

Discutia-se a eleição de membros para as Câmaras de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal. São órgãos que atuam em áreas tão estratégicas quanto combate à corrupção, meio ambiente e direitos indígenas. É cada vez menos confortável a posição de Aras nesses colegiados. O quebra-pau começou porque o procurador-geral quis incluir no rol de candidatos a uma vaga na 4ª Câmara de Coordenação e Revisão o aliado Joaquim Barros Dias, que não havia feito a inscrição.

A certa altura, como o subprocurador-geral Nívio de Freitas insistisse em pedir a palavra, Aras abespinhou-se. Disse que não admitiria "bagunça". O colega retrucou: "Bagunça? Mas Vossa Excelência também interferiu quando o colega estava falando. Então, se Vossa Excelência quer respeito, me respeite também." Aras elevou o tom: "Vossa Excelência não é digno de respeito. Vossa Excelência não é digno de respeito..." O tempo fechou.

Súbito, Aras levantou-se da cadeira, socou a mesa e marchou na direção de Nívio. Embora a transmissão em vídeo tenha sido interrompida, ouviu-se a alturas tantas a advertência de Nívio: "Não chegue perto de mim". A corregedora-geral Célia Delgado interveio para colocar ordem na "bagunça" de Aras. Colocando-se entre os brigões, pediu que retornassem para os seus assentos.

A cena deu à PGR ares de boteco. Não um botequim qualquer, mas um bar de quinta categoria. Há duas diferenças: 1) nas mesas de um bar convencional, os bêbados pagam do próprio bolso a bebida que entorta a prosa. Na Procuradoria-Geral, é o contribuinte quem financia tudo —do salário dos valentões ao sistema de som. 2) No botequim, quando o sujeito quebra a garrafa de cerveja na quina da mesa de ferro e parte para cima do rival, o tratamento é menos hipócrita. Se Aras avalia que o interlocutor "não é digno de respeito", deveria chamá-lo de qualquer coisa, exceto de "Vossa Excelência".