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Josias de Souza

'Vamos cumprir as leis', diz chefe da Aeronáutica

Carlos de Almeida Baptista Junior, Comandante da FAB - Marcelo Camargo/Agência Brasil
Carlos de Almeida Baptista Junior, Comandante da FAB Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

24/05/2022 15h43

O comandante Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, convidou os jornalistas para um café da manhã. Serviu informações sobre os projetos estratégicos de defesa da Força Aérea Brasileira. Lero vai, lero vem perguntaram ao brigadeiro sobre o papel que as Forças Armadas e a Força Aérea Brasileira desempenharão em outubro se as urnas não sorrirem para Bolsonaro. E ele: "A FAB é legalista, vamos cumprir as leis".

Indagou-se também ao brigadeiro se confia nas urnas eletrônicas. Ele achou melhor se esconder atrás da abstenção: "Vou me abster de falar sobre política". No último mês de janeiro, em entrevista à Folha, Carlos Baptista havia sido questionado sobre o que fariam os militares caso Lula fosse eleito. Disse o seguinte na ocasião: "Nós prestaremos continência a qualquer comandante supremo das Forças Armadas, sempre". O comentário não soou bem aos tímpanos de Bolsonaro. Daí o receio de arriscar um comentário sobre o sistema eleitoral eletrônico.

A esse ponto chegou a democracia brasileira. O presidente da República joga as "minhas Forças Armadas" contra a Justiça Eleitoral, afirma que o povo armado será força auxiliar dos militares na defesa das liberdades e anuncia que pode haver "confusão" na eleição. Um comandante militar é compelido a dizer o óbvio —"Vamos cumprir as leis"— e sua manifestação desce ao noticiário como se fosse um barbitúrico. A democracia brasileira adoeceu.