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Caso Genivaldo: Silêncio de Bolsonaro é aviltante

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Josias de Souza

Colunista do UOL

27/05/2022 09h53

Bolsonaro demora a se manifestar sobre a morte de Genivaldo de Jesus Santos, o brasileiro preto e pobre que agentes da Polícia Rodoviária Federal assassinaram na cidade de Umbaúba, em Sergipe. Não foi por falta de oportunidade. Questionado, o presidente disse que precisaria se informar melhor. Fez uma referência esquisita a outro caso que lhe teria chegado "há duas semanas". Envolveria "dois policiais executados por um marginal" no Ceará. Foi como se insinuasse que o desfecho de Sergipe seria adequado, pois os policiais continuavam vivos.

A hesitação de Bolsonaro contrastou com a tenacidade exibida por ele quando correu à redes sociais para parabenizar os policiais "guerreiros" que participaram da chacina ocorrida na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro. Esperava-se por uma palavra de solidariedade a Genivaldo na live da noite de quinta-feira. Mas a transmissão foi adiada para esta sexta. Quem visitou nesta madrugada as redes sociais de Bolsonaro não encontrou uma mísera menção ao assassinato de Sergipe.

Em algum momento o presidente terá de dizer algo. Mas, diga o que disser, será tarde. Certos silêncios merecem um minuto de barulho. O silêncio de Bolsonaro diante da execução de Genivaldo no porta-malas de uma viatura policial convertida em câmara de gás é de uma eloquência ensurdecedora.

Já se sabia que o presidente vê na celebração da barbárie policial uma fonte de votos. Mas impressiona a demora de Bolsonaro em perceber que o silêncio, além de ser aviltante, sinaliza cúmplice diante de um assassinato testemunhado por várias pessoas e filmado pela câmera do celular de uma delas.

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Josias de Souza