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Zero Um leva a polarização à colônia de nudismo

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

23/06/2022 16h10

Flávio Bolsonaro divulgou um vídeo sobre o caso do ex-ministro Milton Ribeiro, preso na quarta-feira e libertado nesta quinta por ordem do TRF-1. A certa altura, o filho Zero Um do presidente da República compara os casos de corrupção do governo do seu pai com os escândalos das gestões petistas. "Enquanto no governo Bolsonaro, quando há um caso isolado de suspeita de alguma coisa, a pessoa tem que ser investigada e ela tem que provar sua inocência, nos governos passados, como da Dilma e do Lula, havia um esquema geral de corrupção em que já foram devolvidos muitos bilhões de reais desviados de várias áreas, em especial da Petrobras."

A corretagem de verbas públicas do MEC por pastores não é um caso isolado, como faz supor Flávio. Mas o assalto à Petrobras nas gestões petistas teve, de fato, proporções amazônicas. Balanço da estatal divulgado em 2014, sob Dilma Rousseff, anotou que o roubo foi de R$ 6,2 bilhões, em valores da época. O grosso desse dinheiro foi recuperado. Isso apenas reforça a falta nexo da pureza moral que o filho do presidente atribui à gestão do pai.

Primeiro porque Flávio substitui o discurso da "corrupção zero" pela tese segundo a qual agora os desvios são mais comedidos. Segundo porque o primogênito esquece de olhar ao redor. Os bandoleiros da caravana petista estão ao lado de Bolsonaro. O FNDE, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, fonte das verbas agenciadas pelos pastores, é controlado por prepostos de Ciro Nogueira, cujo partido, o PP, estrelou o escândalo do petrolão, e por Valdemar Costa Neto, que puxou cadeia no mensalão.

O réu Arthur Lira, do mesmo partido de Ciro Nogueira, comanda a partir da presidência da Câmara o rateio do orçamento secreto. A verba desse orçamento paralelo financia desvios em série —da compra de kits de robótica para escolas que não dispõem nem de água potável ao superfaturamento de ônibus escolares e de asfalto. É como se o filho de Bolsonaro, coordenador da campanha à reeleição, desejasse transformar a polarização com Lula numa gincana de sujos e mal lavados travada numa colônia de nudismo.