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Josias de Souza

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bolsonaro consolida a intervenção na Petrobras

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

28/06/2022 09h20

Quarto presidente da Petrobras no intervalo de ano e quatro meses, Caio Paes de Andrade consolida a intervenção política de Bolsonaro na maior empresa do país. Convertida em puxadinho do comitê da reeleição, a estatal passa a ser assombrada pelo espírito do Curupira. Figura lendária do folclore brasileiro, o Curupira é um moleque que vive na floresta. Tem os cabelos avermelhados. Sua característica mais notável são os pés virados para trás.

Bolsonaro declarou que "teremos uma nova dinâmica na Petrobras". A novidade, no caso, é uma coisa antiga: uma trava no reajustes de preços à moda de Dilma Rousseff. Pelo menos até as eleições, não haverá novos reajustes da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. À sua maneira, Bolsonaro promove o "canetaço" defendido por Lula para tentar domesticar a inflação dos combustíveis. O capitão subverte todas as regras simulando uma reverência à legislação.

Tudo "na base da lei", disse Bolsonaro, "sem mexer no canetaço na Lei das Estatais, sem querer interferir em nada, com muito respeito e muita responsabilidade." Conversa mole. Sem experiência no ramo de petróleo, Caio tem o aval do centrão. Foi enfiado no comando da Petrobras virando o artigo 17 da Lei das Estatais do avesso.

Nos próximos dias, o mesmo desrespeito e irresponsabilidade serão acionados para acomodar na diretoria da Petrobras executivos padrão Curupira. O aroma petista da inibe as reações de Lula. Bolsonaro antecipa, na prática, os movimentos de um eventual futuro governo do PT. Na semana passada, discursando na tribuna da Câmara, Gleisi Hoffmann, a coordenadora da campanha de Lula, disse ser favorável à reformulação da Lei das Estatais. Segundo ela, essa lei "criminaliza a política". No petrolão, como se sabe, quem criminalizou a política foram os políticos que cometeram o crime de assaltar os cofres da Petrobras.