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Josias de Souza

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Caso da Caixa leva desânimo ao staff da campanha à reeleição de Bolsonaro

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

29/06/2022 19h07

O escândalo que custou o cargo de presidente da Caixa Econômica Federal a Pedro Guimarães modificou o ambiente no comitê da reeleição. O desespero converteu-se em desânimo. Bolsonaro descumpriu o que havia combinado com os conselheiros políticos de sua campanha. Após acertar com seu staff, na noite de terça-feira, o afastamento instantâneo do chefe da Caixa, Bolsonaro executou o combinado em marcha lenta e de forma enviesada.

Em vez de emitir uma nota oficial nas primeiras horas da manhã, demitindo o executivo acusado de assédio sexual por funcionárias da Caixa, o presidente protelou o desfecho para o final da tarde. E ainda concedeu ao amigo a troca da exoneração sumária por um pedido de demissão no qual um suspeito de assédio fez pose de vítima de uma "situação cruel".

Bolsonaro deu de ombros para uma outra recomendação dos operadores de sua campanha. Estava combinado que o candidato prestaria solidariedade às mulheres, repudiando o assédio sexual, um crime tipificado no Código Penal. Ouviu-se de Bolsonaro apenas o silêncio.

Teme-se agora que o presidente leve alguma parte do seu corpo ao fogo pelo amigo inflamável. O que potencializaria o risco de elevação da taxa de rejeição de sua candidatura junto ao eleitorado feminino, hoje na casa dos 61%, segundo o Datafolha.

Os aliados cobram uma guinada na retórica e na agenda da campanha à reeleição. Antes, Bolsonaro precisa se benzer.

Uma coisa é um lance de má sorte. Coisa bem diferente são os sinais de mau agouro que desabam sobre a candidatura do presidente como uma avalanche em conta-gotas. Coisa ainda pior é a forma como o candidato reage, transformando cada urucubaca num fator de desgaste eleitoral.

Numa semana, Bolsonaro chama Bruno Pereira e Dom Phillips, assassinados na Amazônia, de "aventureiro" e "malvisto", respectivamente. Noutra semana, retira a cara do fogo para levar a mão às chamas por Milton Ribeiro depois da passagem relâmpago do ex-chefe do MEC pela cadeia. Agora, o candidato permite que um apalpador se retire de cena exibindo, no alvorecer das investigações, o figurino de violentado.