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OPINIÃO

Centrão sinaliza no Orçamento sua descrença na hipótese de Bolsonaro vencer

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Josias de Souza

Colunista do UOL

30/06/2022 16h57

Esteio do governo no Legislativo e principal aliado de Bolsonaro na corrida presidencial, o centrão iniciou um reposicionamento político. Num movimento coordenado pelo chefão da Câmara Arthur Lira, a Comissão de Orçamento do Congresso aprovou na quarta-feira uma norma que converte as chamadas emendas secretas de opcionais em impositivas. Significa dizer que o governo a ser instalado em 2023 não terá senão a opção de pagar as emendas penduradas por deputados e senadores no orçamento secreto, que saltará de R$ 16,5 bilhões para R$ 19 bilhões.

Com essa novidade, os parlamentares do centrão e seus congêneres emitem uma resposta e um sinal. Respondem a Lula, que vem manifestando a pretensão de extinguir o orçamento secreto caso prevaleça nas urnas. Sinalizam que já não apostam todas as suas fichas na vitória de Bolsonaro. Ao contrário, começam a trançar o orçamento do primeiro ano de um hipotético governo Lula.

Inserida na LDO, a Lei de Diretrizes Orçamentárias, que estabelece as bases para a elaboração do orçamento federal, a obrigatoriedade do pagamento das emendas secretas terá de ser referendada pelo plenário do Congresso, numa sessão unicameral de deputados e senadores. Algo que deve ocorrer na próxima semana.

Ao farejar o cheiro de queimado, o PT e seus aliados passaram a articular o adiamento do debate sobre orçamento de 2023 para depois da eleição. O petismo não teve força para se impor na comissão. É improvável que consiga fazer valer a sua vontade no plenário. Assim, se derrotar Bolsonaro, Lula terá que chamar o centrão para uma conversa antes mesmo da posse, já na fase de transição de governo.

Os partidos do centrão não precisam desembarcar imediatamente da canoa de Bolsonaro, pois controlam no atual governo o Orçamento e alguns dos principais cofres da Esplanada. Mas os caciques do grupo acompanham o candidato à reeleição como se participassem de um funeral.

O centrão sinaliza no esboço do Orçamento de 2023 o plano de acompanhar Bolsonaro até a beirada da cova. Os supostos aliados se queixam da resistência do presidente em seguir seus conselhos. Informam que não têm a disposição de pular no buraco.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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