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Josias de Souza

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Sorriam, candidatos, vocês estão sendo filmados

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

05/07/2022 09h25

Sempre que um pretendente à poltrona de governador de São Paulo fizesse uma declaração contra a instalação de câmeras nos uniformes de policiais, um letreiro deveria piscar no seu subconsciente: "Sorria, candidato, você está sendo filmado." Já criticaram o sistema o socialista Márcio França —agora na bica de virar candidato ao Senado—, o bolsonarista Tarcísio de Freitas e o ex-bolsonarista Abraham Weintraub.

A julgar pelos resultados do programa de filmagem do trabalho policial, o eleitor deveria levar o pé atrás em relação aos candidatos que se opõem à iniciativa. A queda na taxa de letalidade de 80%, observada em 19 batalhões da PM paulista que grudaram câmeras nos uniformes dos seus policiais, deveria tornar a manutenção do programa num condicionante de voto.

Considerando-se que a Polícia Militar é uma instituição de Estado, não de governo, os candidatos deveriam inclusive considerar a sério a ideia de acenar com a hipótese de manter no cargo o recém-nomeado comandante da PM paulista. Chama-se coronel Ronaldo Miguel Vieira.

Em recente entrevista à Folha, o coronel Ronaldo traçou duas linhas no chão. Numa, sinalizou que não aceitará política dentro dos quarteis. Noutra, demarcou os pontos a partir do quais não cogita recuar: além de manter, planeja ampliar o programa que instalou câmeras no uniforme dos PMs. Enxerga a filmadora como uma ferramenta de proteção do policial.

Na era das redes sociais, os policiais estão diante de duas alternativas: podem produzir suas próprias filmagens, profissionalizando as abordagens. Ou podem se tornar protagonistas de vídeos artesanais, captados por câmeras de celulares de testemunhas ocasionais. Vídeos como aquele que exibiu três policiais rodoviários federais assassinando o motoqueiro Genivaldo num camburão de gás em Sergipe.