Trump impõe a Lula o dilema do prato, cuja resolução afeta 2026
Ler resumo da notícia
John Kennedy, um antecessor remoto de Donald Trump, gostava de dizer que, em chinês, a palavra "crise" se compõe de dois ideogramas, um representando perigo, outro oportunidade. Essa interpretação é imprecisa. Mas ajusta-se perfeitamente ao caso brasileiro. Ao comprar briga com Pequim, Trump transformou a China numa oportunidade a ser aproveitada pelo Brasil.
Em resposta à guerra tarifária deflagrada por Trump, a China elevou as tarifas de alimentos importados dos Estados Unidos. A lista inclui produtos como carnes suína e bovina, frango, milho, soja, sorgo, frutas e vegetais. O agronegócio brasileiro está em festa, pois a oportunidade dança com quem já está no salão. E nenhum outro fornecedor alternativo está mais bem situado no salão chinês do que o Brasil.
O diabo é que mesmo os beneficiários de crises fabricadas por Trump não estão livres do perigo. O imperialista da Casa Branca submete Lula ao dilema do prato. O Brasil precisa dar de comer à China sem alimentar a carestia doméstica.
Ao encher o prato dos chineses, o agronegócio brasileiro eleva o saldo da balança comercial do país. Mas isso pode encarecer a comida no Brasil, elevando também o saldo negativo da popularidade de Lula, drasticamente afetada pela inflação dos alimentos.
Se não conseguir recuperar seu prestígio até o final do ano, Lula pode chegar ao ano eleitoral de 2026 com a popularidade no vermelho, tornando-se, ele próprio, uma oportunidade que os adversários ficariam tentados a aproveitar.