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Josmar Jozino

Acusado de lavar dinheiro de André do Rap, do PCC, tira foto com Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro esteve na Vila Belmiro, e durante fotos com fãs, posou com empresário acusado de elo com PCC - Reprodução/Instagram
O presidente Jair Bolsonaro esteve na Vila Belmiro, e durante fotos com fãs, posou com empresário acusado de elo com PCC Imagem: Reprodução/Instagram
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

04/01/2021 13h01

O empresário Fredy da Silva Gonçalves Bento, 37, investigado pela Polícia Civil por suspeita de lavar de dinheiro para o narcotraficante André Oliveira Macedo, 43, o André do Rap, integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital), tirou foto com o presidente Jair Bolsonaro em partida de futebol beneficente no último dia 28, na Vila Belmiro, em Santos (SP).

Fredy jogou na preliminar no time azul, e Bolsonaro em outro jogo na equipe de branco. O evento esportivo fez parte da 16ª edição do Natal sem Fome, realizado para arrecadar alimentos e brinquedos para crianças e famílias carentes, especialmente da região da Baixada Santista.

Na lista de escalação do time azul, de Fredy, não havia o nome dele. Em nota divulgada à imprensa, o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) do governo federal, informou que o evento beneficente não foi organizado pela Presidência da República, que o gabinete não é responsável pela agenda do presidente nem tem poder de polícia.

Segundo o GSI, o presidente Bolsonaro foi convidado a participar do evento, prestigiou a partida de futebol e foi objeto das medidas e protocolos de segurança previstos para garantir a sua integridade.

Policiais civis afirmam que antes do jogo, Bolsonaro nunca havia tido contato com Fredy e tampouco sabia que o empresário é investigado por lavagem de dinheiro, pois, caso contrário, provavelmente, não tiraria foto ao lado dele.

Empresário nega ligação com o PCC

A Polícia Civil começou a investigar Fredy por lavagem de dinheiro em junho de 2019, após prender em Itaquera, na zona leste de São Paulo, um homem acusado por tráfico de drogas. Com ele foram apreendidos 14 aparelhos de telefone celular.

Em uma das linhas havia o contato de Fredy e de outras pessoas acusadas de envolvimento com o PCC. As ligações telefônicas dos suspeitos foram interceptadas com autorização judicial. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar a participação do empresário na lavagem de dinheiro para André do Rap. O processo corre em segredo de Justiça.

Fredy foi ouvido pela Polícia Civil em 24 de junho de 2019. Ele negou conhecer André do Rap e também afirmou que jamais cometeu crime de lavagem de dinheiro.

O empresário disse ainda que foi policial militar por dois meses e que depois começou a vender roupas. Acrescentou que adquiriu lojas e que também realiza eventos artísticos com cantores famosos.

Fredy seria laranja usado para lavagem de dinheiro do tráfico

A suspeita da Polícia Civil é de que o dinheiro proveniente do tráfico de drogas para a Bélgica, Portugal, Itália e África, feito via porto de Santos, é encaminhado para as mãos de Fredy por meio de imóveis, restaurantes, lojas de carros e de roupas, salões de beleza e boxes em camelódromos na Baixada Santista.

O nome de Fredy veio à tona pela primeira vez na mídia em agosto de 2020, em reportagem investigativa do jornalista Rodrigo Hidalgo, exibida no Jornal da Band, sobre lavagem de dinheiro envolvendo integrantes do PCC.

A coluna veio investigando a situação desde a partida de futebol disputada em Santos, no último dia 28.

André do Rap é considerado um dos maiores narcotraficantes do Brasil. Ele foi preso pela Polícia Civil de São Paulo em setembro de 2019 num imóvel em Angra dos Reis, litoral sul do Rio de Janeiro. Acabou solto em outubro do ano passado graças a um habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal).