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Josmar Jozino

"Hospital do PCC" em SP já atendeu líder da facção preso sábado no Paraguai

Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

11/01/2021 04h01

Apontado como líder do PCC (Primeiro Comando da Capital) no Paraguai, Giovanni Barbosa da Silva, 29 anos, o Koringa, preso sábado (9) na cidade de Pedro Juan Caballero, é braço-direito de Anderson Lacerda Pereira, 40, o Anderson Gordão, um dos maiores narcotraficantes do Brasil, procurado pela Interpol, a Polícia Internacional.

Baleado na perna por policiais militares em 30 de novembro de 2017 na zona norte de São Paulo, Koringa foi medicado na clínica Vida Mais Vida, de Anderson Gordão, aberta no Arujá, Grande São Paulo, para socorrer integrantes do PCC baleados em confrontos policiais.

Na ocasião, Koringa foi ferido na perna, no bairro da Freguesia do Ó. Ele foi levado por comparsas até o hospital do PCC, distante 47 km do local onde ocorreu a troca de tiros com policiais militares.

O UOL não conseguiu localizar os advogados de Koringa. Já a defesa de Anderson Gordão tem dito, desde que ele se tornou réu pelo crime de lavagem de dinheiro, em meados do ano passado, que o cliente não é integrante do crime organizado.

Segundo investigações da Polícia Civil, o hospital do PCC estava em nome de Gabriel Donadon Loureiro Pereira, 25, filho de Anderson. O rapaz, assim como o pai, também está foragido e na lista vermelha da Interpol.

Relatórios de inteligência elaborados no 70º Distrito Policial (Sapopemba) apontaram que Koringa era chefe do PCC na zona norte paulistana. Ele também é apontado como parceiro de Anderson Gordão na venda de drogas.

Liderança do PCC no Paraguai

A Polícia do Paraguai informou que Koringa atualmente era o principal líder do PCC na região norte do país vizinho. Ele era investigado desde novembro do ano passado por suspeita de envolvimento nas mortes de quatro rapazes ligados à quadrilha de Fahd Jamil, inimigo da facção criminosa paulista. Os assassinatos aconteceram em Pedro Juan Caballero.

A prisão de Koringa aconteceu por volta das 22h. Na madrugada de domingo (10), um grupo de ao menos 30 pessoas invadiu a delegacia da cidade, onde fez três agentes reféns e tentou resgatar o criminoso de São Paulo.

O bando estava armado de fuzis e pistolas. Policiais paraguaios conseguiram controlar a situação. Foram presos na tentativa de resgate dois homens identificados como Paulo Augusto Jaime Landolfi e Lucas de Aguiar Freire.

As autoridades paraguaias expulsaram Koringa do país nesse domingo (10), por determinação do presidente Mario Abdo. O criminoso do PCC deve ficar recolhido em uma penitenciária federal brasileira. O presídio para onde ele foi levado não foi informado.

Gordão enriqueceu enviando drogas para a Europa, diz polícia

Anderson Gordão responde a processo por lavagem de dinheiro. Policiais civis do 4º DP de Guarulhos apuraram em inquérito que o narcotraficante tem um patrimônio avaliado em R$ 130 milhões, graças ao lucro obtido com o envio de toneladas de cocaína para a Europa via porto de Santos (SP).

Segundo as investigações, Anderson Gordão é dono de 15 casas de alto padrão em condomínio de Arujá, além de 38 clínicas médicas e odontológicas e um minizoológico na Grande São Paulo.

Condenado a sete anos por tráfico internacional, Anderson foi preso em 2010 e acabou solto em agosto de 2011. Ele é procurado pela PF e Interpol desde 2014.

A Polícia Nacional do Paraguai investiga se Anderson Gordão está refugiado naquele país e também se ele participou da tentativa de resgate de Koringa.