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Josmar Jozino

Fugitivo de prisão dominada pelo PCC é suspeito por roubo de aviões no MS

Laudelino Ferreira Vieira, 43, o Lino, apontado como o mentor intelectual do roubo de três aviões do Aeroclube de Aquidauana - Reprodução/SSP-MS
Laudelino Ferreira Vieira, 43, o Lino, apontado como o mentor intelectual do roubo de três aviões do Aeroclube de Aquidauana Imagem: Reprodução/SSP-MS
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

08/09/2021 04h00Atualizada em 08/09/2021 09h09

A Justiça de Mato Grosso do Sul decretou a prisão preventiva de Laudelino Ferreira Vieira, 43, o Lino, apontado como o mentor intelectual do roubo de três aviões do Aeroclube de Aquidauana (MS), na madrugada da última segunda-feira.

Um dos aviões, Cessna Skylane, é do cantor e compositor Almir Sater. O outro, do mesmo modelo, pertence ao pecuarista Zelito Alves Ribeiro e o terceiro, um Bonanza V35B, é de propriedade do ex-prefeito de Aquidauana, José Henrique Trindade. A suspeita é de que as aeronaves estejam na Bolívia.

Lino estava preso até o dia 31 de maio deste ano, quando escapou misteriosamente do Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande. Segundo agentes penitenciários sul-matogrossenses, o presídio é dominado por detentos do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul chegaram até o nome de Lino após a prisão em flagrante de Roger Breno Wirmond dos Santos, 22, o Zoio, e Cristhofer Cristaldo Rocha, 20. Ambos foram identificados e localizados graças à denúncia anônima.

Segundo a Polícia Civil, os dois confessaram a participação no crime. Zoio afirmou que receberia R$ 5.000 para arrumar quatro armas para o bando. Cristhofer ganharia R$ 1.000 para fornecer uma arma. A quadrilha era formada por brasileiros e bolivianos.

As investigações apontaram que os criminosos usaram como base na operação uma casa alugada por Lázaro da Silva Ramires, 24 — acusado de ser outro integrante do bando — na rua Benício Pereira Mendes, no município de Anastácio, a 5 Km de Aquidauana. Os policiais apuraram que Lázaro ficaria com R$ 300 mil por cada aeronave roubada.

Bilhete de ônibus

No imóvel alugado, policiais encontraram uma passagem de ônibus em nome do piloto boliviano Kevin Suarez Moreno. Os investigadores descobriram ainda que Kevin se reuniu com Lázaro em uma boate para combinar detalhes do roubo.

O piloto boliviano Kevin Suares Moreno - Reprodução/SSP-MS - Reprodução/SSP-MS
O piloto boliviano Kevin Suares Moreno
Imagem: Reprodução/SSP-MS

Os policiais também já sabem que no celular de Lázaro havia gravações de áudio e vídeo com imagens de Lino, perguntando se os bolivianos, incluindo o piloto, já haviam chegado. Outro suspeito de envolvimento no crime foi identificado como Ivanildo da Silva Dias Ferreira, 26, o Nego. Ele e Lázaro já foram processados juntos por tráfico de drogas em 2018.

Lino, Lázaro, Ivanildo e Kevin continuavam foragidos até a noite de ontem (7). O juiz Alexsandro Motta decretou a prisão preventiva dos quatro suspeitos e autorizou a realização de perícia nos telefones celulares de Roger e de Cristhofer. A polícia acredita que ao menos 18 homens invadiram o aeroclube, dominaram e amarraram o caseiro e os dois filhos dele e roubaram as aeronaves.

Roubo de outros aviões

Ainda de acordo com a Polícia Civil, Lino é reincidente no roubo de aviões no Mato Grosso do Sul. Em janeiro de 2004, ele foi acusado de roubar três aeronaves de uma empresa de táxi aéreo em Corumbá.

Os aviões foram levados para a Bolívia. No primeiro semestre de 2004, o assaltante chegou a ser preso pela polícia boliviana com uma das aeronaves roubadas, mas acabou liberado.

Em 12 de julho de 2010, Lino foi preso por policiais rodoviários federais em Terenos, no Mato Grosso do Sul. A polícia o acusou de envolvimento no assassinato do cabo da Polícia Militar Rudy Mendonça, 43, em 19 de janeiro de 2006.

Lino é condenado a 80 anos pelos crimes de homicídio, tráfico de drogas, roubos e uso de documento falso. Na prisão de Campo Grande dominada pelo PCC, o criminoso tinha autorização para trabalhar na faxina da escola. Ele fugiu durante o expediente de limpeza da unidade.

O UOL não conseguiu contato com os advogados dos acusados.