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PF apura se 'Aquaman' do PCC preso em Santos também agia em porto espanhol

Joaquin Francisco Gimenez, 34, chamado por agentes de "Aquaman" do PCC Imagem: Divulgação/Polícia Civil
Josmar Jozino

Colunista do UOL

17/01/2022 04h00

A Polícia Federal investiga se o mergulhador espanhol identificado como Joaquin Francisco Gimenez, 34, chamado por agentes de "Aquaman" do PCC, preso em Santos e acusado de acoplar caixas metálicas com cocaína em cascos de navio, é o mesmo homem que trabalhou na manutenção de embarcações em Las Palmas, na Espanha.

Nas páginas da Internet aparece um nome homônimo ao de Joaquin, como funcionário de uma empresa especializada em manutenção de navios. A função dele na companhia era fazer reparos e soldagens subaquáticas em embarcações. A PF quer saber se se trata da mesma pessoa.

As informações nas redes sociais apontam que a sede da empresa é em Las Palmas, nas Ilhas Canárias, e também que ela opera no porto local. A região é uma das maiores rotas de tráfico internacional de drogas da Espanha. A cocaína é despachada ao balneário principalmente por navios.

O mergulhador foi preso na terça-feira (11) por policiais civis nas proximidades da área portuária de Santos. Segundo a Polícia Federal, Joaquin prestava serviços para o PCC e a função dele no Brasil era fixar caixas metálicas com o uso de imãs no casco de navios para o transporte de drogas rumo à Europa.

O espanhol escapou de ser preso no mês passado no Espírito Santo. Ainda de acordo com a Polícia Federal, sete comparsas dele, todos integrantes do PCC e boa parte radicada na Baixada Santista (SP), não deram sorte e foram flagrados com centenas de quilos de cocaína em território capixaba.

Leonardo de Pádua Barbosa Pulis, Bruno da Silva Alves e João Vitor dos Santos foram presos em 7 de dezembro de 2021 em um galpão na região de Interlagos, em Vila Velha. Com eles foram apreendidos 507,5 kg de cocaína, além de material usado para embalar a droga.

Policiais dizem que também foram presos Amir José Leite Ferreira, conhecido como Jogador, Paulo Afonso Pereira Alves, Marcos Vinícius Marcelino Teixeira e Caio Felippe Ferreira Silva. No dia 8 de dezembro, agentes apreenderam mais 389 kg de cocaína em uma lancha perto da praia do Ribeira, em Vila Velha.

Tatuagem de Escobar

Segundo o jornalista Leonel Ximenes, colunista de "A Gazeta", de Vitória (ES), o mergulhador espanhol é tatuado com a marca de Pablo Escobar (1949-1993), o narcotraficante conhecido mundialmente como o "senhor das drogas colombiano".

Joaquim usava roupa de mergulho quando foi capturado por policiais da 2ª Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes) de Santos. Agentes federais estimam que o "Aquaman" ganhava de R$ 300 mil a R$ 350 mil por cada serviço prestado ao PCC.

Amir José, 27, o Jogador, um dos sete presos em Vila Velha, é natural de Santos. Ele e outros integrantes do PCC da Baixada Santista e do Interior de São Paulo são investigados por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Leonardo de Pádua, 28, outro detido em Vila Velha, também, é natural de Santos. Em fevereiro de 2018, ele foi flagrado dirigindo em São Vicente (SP) um Honda Civic roubado. O criminoso acabou processado por receptação e adulteração de veículo. As placas do carro foram trocadas.

Ndrangheta e PCC

A fixação de maletas em cascos de navios começou a ser usada no Brasil no início dos anos 2010. O precursor da implantação dessa estratégia, segundo investigações da PF, foi o chileno Rayko Tomasin Rivera Milan, 58, o homem de confiança no Brasil da Ndrangheta, a máfia italiana.

Rayko foi condenado a 28 anos e quatro meses de prisão por tráfico de drogas. Ele cumpre pena na Penitenciária de Itaí (SP) e está prestes a ser extraditado a pedido do governo da Itália.

Investigações da Polícia Federal apontam que em 2013, Rayko mandou acoplar uma caixa metálica com 44 kg de cocaína no casco de um navio no Porto de Munguba, no Pará. A droga foi apreendida e o destino dela seria o porto de Antuérpia, na Bélgica.

Os agentes descobriram que os tabletes de cocaína eram vedados e colocados dentro da caixa metálica. Nas pontas dela havia quatro grandes imãs. Os trabalhos eram coordenados por Rayko e a fixação do material era feita por mergulhadores.

Os federais apuraram ainda que depois desse episódio no Porto de Munguba, Rayko e seus comparsas mergulhadores fizeram treinamentos nos portos de Santos (SP) e de Itaguaí (RJ).

A reportagem não conseguiu falar com os advogados dos presos, mas publicará a versão dos defensores assim que houver o contato.

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